Friday, March 28, 2008

Limites 28|3

E pensar que foste causa de tais sentimentos.
E manifestar contra tudo e todos que me fazes bem.
E renegar sentir outras coisas.
E pensar em ti como te sinto.
E dizer o teu nome cada vez que sorrio.
E acreditar no 5º elemento porque marcaste isso em mim.
E dizer que não de todas as formas.
E confrontar-me todos os dias com uma ausência que não pode ser tua.
E olhar-te na alma.
E fitar cada traço do teu corpo desenhado por mim.

E pensar que nunca os sentiste.
E manifestar a favor do mundo que só eu fui feliz.
E aceitar que posso amar.
E apagar-te dos meus pensamentos.
E sorrir porque sim.
E acreditar sempre.
E dizer que sim.
E confrontar-me todos os dias com a minha presença.
E olhar-me na alma.
E fitar cada traço meu para que alguém o desenhe.

Num pensamento manifestamente livre amar até ao limite, apagar-te e sorrir porque sim.
Acreditar sempre que direi “sim” e sentir que a minha alma merece ser desenhada por alguém.

Thursday, March 27, 2008

Amor 27|3

"Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser 
desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? 

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e 
descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. 

O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A 
"vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um 
fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem 
tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não 
dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa 
alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, 
não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que 
a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e 
minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade 
pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num 
momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por 
muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda 
o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não 
esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor 
que se lhe tem. 

Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se 
ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver 
sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. 
Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. 


Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."
Miguel Esteves Cardoso in Expresso

Wednesday, March 26, 2008

Le Banquet . Acto ultimo 26|3

Severa é a parte do abandono. Compensante a do sorriso.
Uma melodia marca toda a diferença se acompanhada de uma letra.
As variadas interpretações podem condená-los.Aos filhos, aliada às suas personalidades uma educação. Aos filhos mudos e estáticos uma especial dedicação. Um silêncio sentido numa expressão eterna.

Thursday, March 13, 2008

Le Banquet . Dia 7 13|3




Não posso fugir do tectónico, nem das materialidades.
Não posso fugir dos ritmos, nem do pormenor.
Não posso prender a vontade, nem a expressão.
As partes confundem-me, mas o todo marca-me sem que o compreenda.
Quem sou não interessa. O que se expressa é o acto em si. A conjugação destes sons. A marca ladrilhada e efectiva do que não é assertivo, o sensível.
São movimentos inertes, posturas não afirmadas, estruturas inquebráveis e incertas. São frágeis pela carência impressa. São tempo de partilha, admiração e respeito. São certas, eternas. São silhuetas esguias, num intrelaçar de cumplicidade.
É o todo sentido como parte.
A essência renegada.
O jogo sensível conjugado no infinito, onde o sujeito é passivo.
Não posso fugir desta angustia que me condiciona o traço, nem destas maravilhosas aparições.
Não posso renegá-la, nem viver em sua função.
Não posso viver sem sentir.

Monday, March 10, 2008

O Atelier 10|3



Comunicação e Imagem

bathavia@gmail.com

91 818 32 94

Forever 10|3





O amor de chocolate fica para sempre...*

The Gift - Mosteiro de Alcobaça 10|3








Agregado à excelente voz da Sónia um grupo de músicos fantásticos. É nestas alturas que sinto um pouco de patríotismo.
Estas pessoas, em conjunto, fazem de mim um sonhador nato.
Parabéns pela harmonia e boas energias que me transmitem.
São parte da banda sonora da minha vida.
Ficam alguns momentos que me tocam particularmente.
Nota: Obrigado Ricardo por me teres proporcionado tal momento :)

Thursday, March 06, 2008

Pânico 6|3

Quando nos doi a alma e os nossos gritos não são suficientemente fortes para que nos oiçam, olhem-se como meros joguetes do destino.