Monday, November 27, 2006

Aceito o Desafio 27|11


Caros leitores
Serve o presente 'post' de enunciação do regulamento e de resposta ao desafio lançado pela cibernauta Desumana, titular do (por muitos) apreciado 'blog' residente no endereço http://osdesumanos.blogspot.com."
Cada bloguista participante tem de enunciar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blog.
Chegada a minha vez o testemunho passado pelo blog “raras vezes” aqui vai com aquela dificuldade!
1. Os filmes românticos e o eterno paradoxo
Sim, olho para as estórias patéticas do “Era uma vez” e “Viveram felizes para sempre” e sorrio. No fundo acredito que existe alguém que supera todas as expectativas, guardado algures num lugar branco com uma atmosfera musical emitida do nada que martiriza as tantas relações pseudo-modernas (as descartáveis). Se não existir a perfeição prefiro ficar apenas com as minhas imperfeições (que n são poucas). Entretanto não acredito na perfeição e se existisse acho que não teria assim tanta graça!
2. O sentido existencial não me abandona, no entanto não sou filósofo.

Com esta idade, não deveria pensar tanto. Tenho receio de não fazer tudo o que quero, começo a ter paranóias com a marca na expressão facial. Sinto uma atracção enorme por alturas, na verdade pela queda e tenho vertigens. Estou envolvido numa estória em que sou o actor principal e tudo o resto se desenvolve em meu redor com a cenografia indicada e os figurantes precisos! Sei que é a altura de baixar o ego e sentir os pés na terra, mas a minha bússola não se compra e o facto de acreditar em tal coisa não me permite crescer doutra forma.
3. As sacas de grão, feijão e cereais dos comerciantes com cara assustadora.

Não tenho por hábito ir até grandes superfícies comerciais ou a lugares de venda ambulante, ainda caem as coisas cá em casa sem que me preocupe com tal efeito. No entanto tenho uma mania que me assusta, cada vez que me apanham num destes lugares tendo a mergulhar a mão nas belas das sacas até não poder mais, sentir cada textura e quando todas percorridas voltar à que mais me agradou. Faço-o a medo, afinal é uma atitude não condenável aos mais pequenos, mas cresci e as pessoas olham-no como algo descabido. Acho que perderam a sensibilidade deste gesto!
4. Criar uma imagem e observá-la até que perca o sentido.
Pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra, pedra...
É a isto que me refiro, não sei até que ponto consigo ser explícito para que o percebam. Se disserem uma palavra muitas vezes a palavra começa a perder o sentido. É o exercício contrário que se faz quando a aprendemos, dizer várias vezes até perceber o seu significado. Tal coisa é uma mania que tenho quando estou a criar. Depois de acabada, uma imagem minha (pintura ou aplicação) intitulo-a e sem querer fico hipnotizado durante longos espaços de tempo, sem quebras, num frente a frente até perder o seu significado! Isto seria normal se não fosse eu que a produzisse e a única pessoa que a pode defender!
5. Olhar fixamente para as pessoas.

Tenho o péssimo defeito de observar demasiado as pessoas, olhar cada gesto, cada movimento, como falam e se exprimem, como comem, como andam, como riem...
Sou várias vezes chamado à atenção por pessoas inseridas no grupo para este “drama”, dizem que não sou discreto.
Não é uma opção, olho para toda a gente, não é engate (quando é não consigo fixar o olhar), é uma mania de absorver tudo que implica e condiciona um espaço.
Passo o testemunho:

Inutilidade 27|11



Estou doente, para variar, estou doente.
Estar doente implica um estado de introspecção obrigatório, uma postura desleixada, uma sensibilidade acentuada e uma dependência atrofiante!
Costumo ouvir desde sempre que sou frágil, que fico doente facilmente. Que devia existir dentro duma redoma de vidro.
Hipocondríaco?
Será que também sofro desta doença, será que as minhas doenças são psicossomáticas? Ou apenas já me vou habituando à pouca imunidade de que sou portador?
Está frio, o jardim está com os habituais fungos da estação, menos verde onde seria propício, mais verde onde não lembra a ninguém! Com acentuação da entrada na quadra natalícia já começo a sentir a luz amarela emitida entre o cheiro a madeira queimada, o ar queimado pelos ventiladores e a vontade de não fazer nada.
Nada melhor que as primeiras chuvas e o cheiro da terra molhada, nada pior que a prática desta quadra.
Não podendo me dar ao luxo de estar deitado um dia inteiro aconchegado pelo edredão com padrão Pop, aqui estou eu, de banho tomado, com roupa vestida (pronto a sair) para me sentar na tal cadeira que me sacrifica a coluna e me ajuda a estar menos desconfortável em frente à janela dos que pretendem piorar a potencialidade da vista!
Mãe chega rápido, preciso do teu chá quente e do beijo na testa...

Sunday, November 26, 2006

Segredo 26|11





























Em segredo está e permanecerá a essência do sentimento mais puro.
Confiança, familiaridade, partilha, reconhecimento, mau feitio entre sorrisos, olhares, palavras e sinais confortantes.
É só nosso e foi adquirido sem intenção, brotou com naturalidade.
E hoje é um dia especial, o teu dia... Parabéns!

Entre o baloiço e o olhar estamos nós sem que ninguém consiga perceber como.

Friday, November 24, 2006

Espelho 24|11


Glamour! Lolol, glamour...

Sabe bem sentir-me bem, sabe bem sentir-me bonito e interessante. Sabe bem gozar com a futilidade dos outros para conseguir sentir a minha. Ser fútil por uma noite e gozar, gozar muito... rir e estimular as belas rugas de expressão.
Sabe bem estar rodeado de gente que me conhece e percebe a minha futilidade instantânea. E rir, rir muito!
Sabe bem ver pessoas bonitas e burras. Sítios bem decorados e com boa música e beber, beber vinho branco bem fresco.
Sabe bem tratar de mim e ser reparado pela boa aparência.
Sabe bem não pensar de vez em quando e agir, só agir. Conhecer sítios secos e com bagagens com ausência de conteúdo. Dizer “olá”, sorrir e fugir rápido. Fixar um olhar e quando fixo desviá-lo.
Sabe bem não dar satisfações. Sabe bem, poder vestir o papel do fútil e sentir que recalco a qualquer momento a responsabilidade que carrego do “eu”.
Sabe bem ser belo e burro, por instantes!

Nota: dedicado aos que n vivem, aos que são feios e por mais que tentem n conseguem vestir outro papel.

Wednesday, November 22, 2006

Rumo 22|11


O sol entra a medo na sala do canto. Estou sentado numa das mesas e estão mais dois alunos, penso que de 2º ano a discutir qualquer coisa. Acaba de entrar outra rapariga, suponho que seja da minha turma, com ar ridículo e descuidado, irritam-me pessoas assim! É feia, mal feita e gorda, com ar pouco limpo.
Apetece-me dizer mal de toda a gente. Para ser sincero, nem tenho nada contra ninguém, mas tenho tudo... As pessoas são feias, não dizem coisas interessantes e acham-se um máximo por estudarem arquitectura. Bah, cambada!
Dez?
Dez vezes merda para esse professor que não tem noção, dez vezes merda para a novela Pedro Mendes e Marát Mendes, dez vezes merda para todos os pseudo-arquitectos do ISCTE.
Quero acreditar que as minhas únicas certezas acompanham-me com convicção, tenho medo de falhar.
Dez vezes merda para esta gente...
Sinto-me entremeado num caos de barulhos, cores e vultos. Tenho dificuldade de distinguir cada um. Arrumei finalmente o atelier, julgava-o desorganizado!
As pessoas estão a perder a noção da coisa e eu para lá caminho, não aguento a pressão... Pretas a discutir no comboio, carros a buzinar numa melodia caótica, amigos que pressionam na altura errada, ditados de classificações mal atribuídas, gente feia e mais trabalho.
Dói-me o peito, sinto uma angústia que me agonia.
50% de negativas? Quarto ano de arquitectura? Tenham noção...Dói-me a cabeça, mas tenho que continuar a trabalhar!

Tuesday, November 14, 2006

Homem do tempo 15|11


Lembro-me de um dia, ter imaginado como a minha vida seria, como eu seria.
Imaginei que teria muitas qualidades, qualidades fortes e positivas em que as pessoas reparariam à distância.
Mas à medida que o tempo passou, poucas se tornaram qualidades que eu tinha realmente.
Todas as possibilidades que tinha e os tipos de pessoa que poderia ser, foram-se reduzindo, de ano a ano, até se reduzirem, finalmente, a uma coisa, a quem sou!

Sunday, November 12, 2006

Entre o Sagrado e o Profano 12|11


Quadrícula a quadrícula e mais umas quantas... ritmos casuais, noções implícitas.
Sentidos apurados, angustia precisa.
Reacções condenáveis e mais um tanto de bom senso.
Gente, muita gente. Multidões de conceitos, ideias pré formadas.
Ficção fora da película!
Caras, ausência de odores e expressão fixa.
Criar e criar, mais umas ideias, mais uns tantos traços expressivos e característicos.
A consequência?
A consequência é o mundo paralelo. O ideal, o que observam e não atingem!
O que me atormenta da forma mais doce, o que me condena pelo bem feito, o que me incentiva, o que me cobra o preço do tempo e da beleza, o que reactiva em mim a falta de postura, a clausura e a tal realidade inexistente (felizmente) para tantos outros!A consequência que martiriza as peles e rejuvenesce a alma.

Thursday, November 09, 2006

Espaços 9|11

Vamos lá esclarecer uma coisa. O MEU espaço... é só meu, mais intimo que isto não tenho. Não permito a ninguém que o invada, não permito a ninguém que me exija satisfações.
É tão difícil assim perceber quando se é tão directo?
Maneirismos não, obrigado.
O Amor tem que ser reinventado. Só sou crente no que conheço e no que acredito. E acredito em contos de fadas. Blá blá blá, era uma vez, blá blá blá e viveram felizes para sempre!
Eu quero ter entre tantas estórias um “era uma vez” com um final feliz. Mas quero acima de tudo que haja alguém com noção!
Pedir muito? Talvez sim... Bah
Guardarei no meu espaço, entre livros de arte este meu desejo. Talvez um dia alguém os possa desfolhar! Alguém com tamanha sensibilidade, com um toque cuidado, um traço ainda mais fino e com o olhar mais puro!

Wednesday, November 08, 2006

O teu dom 8|11



















Talvez por não saber falar decor, imaginei...
Talvez por saber o que não será melhor, aproximei.
Meu corpo é o teu corpo, o desejo entregue a nós, sei lá eu o que queres dizer...
Despedir-me de ti, adeus um dia voltarei a ser feliz.

Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor,
Não sei o que é sentir
Se por falar, falei, pensei que se falasse era fácil de entender

Talvez por não saber falar decor, imaginei...
Triste é o virar de costas, o último adeus... Sabe Deus o que quero dizer
Obrigado por saberes cuidar de mim,
Tratar de mim,
Olhar para mim,
Escutar quem sou...
E se ao menos tudo fosse igual a ti!

Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor,
Não sei o que é sentir
Se por falar, falei, pensei que se falasse era fácil de entender!

Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor,
Não sei o que é sentir
Se por falar, falei, pensei que se falasse era fácil de entender.

É o amor que chega ao fim. Um final assim, é mais fácil de entender...

Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor,
Não sei o que é sentir
Se por falar, falei, pensei que se falasse era fácil de entender.

Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor,
Não sei o que é sentirSe por falar, falei, pensei que se falasse era fácil de entender.

Saturday, November 04, 2006

A ti 4|11


Morreu, morreu o meu sonho de criança... Sinto me desamparado, a partir de agora é apenas uma lembrança que me aquece a parte mais bela em mim, a mais genuína.
Chovia, chovia muito. Este dia seria sem dúvida um dia de chuva.
Estava cinzento e o frenesim estranho que ela nos transmitiu era contrastante com todo um ambiente pesado com cheiros de grandes momentos que marcavam um passado!
Agarrei-a com força, acariciei-a, mas ela sentiu que me despedia... E num instante, numa fracção de segundos, encostada no meu peito e aparada nos meus braços foi perdendo a força, fui sentido o peso do meu sonho esvair-se...
Dói muito, este sonho morreu nos meus braços e eu consenti!
Tentar relativizar a coisa, irrita-me e provoca-me atitudes agressivas. Toda a verdade foi única e exclusivamente aquela, morreu nos meus braços... Não quero saber se foi feliz ou não, não quero saber se era velha, ou se estava doente. Não quero ouvir estórias com toques confortantes. Era muito mais que o animal de estimação, era a Lady... Todos a conheciam, a família desde que me lembro foi constituída por seis elementos. Era um membro, com uma fisionomia diferente, com outras capacidades, mas com uma essência pura, sem condicionamentos ridículos assimilados.
E agora, quem me cumprimenta daquela forma tão especial quando chego a casa? Quem protege estas lembranças?
Não me vou consolar, não admito consolação possível.
Merda de gente, a verdade fica debaixo dos nossos pés!
Não lhe posso sentir.
Não vou falar, não vou sair, não vou rir... Não vou permitir sorrisos à minha volta.Não esquecerei o teu olhar.

Friday, November 03, 2006

voltar atrás? 3|11

Vou formatar o meu cérebro, nascer de novo... Hoje, vou observar cada tom, cada forma como se fosse a primeira vez.
Não vão existir conceitos (restrito ao nada).
Hoje vou tentar projectar arquitectura para putos, para aquelas pessoas em miniatura genuínas e irritantes.
Hoje vou me sentir um puto.
Quero um miolo leve, com jogos de luz, com a métrica do crescimento patente. Quero paredes frias e mal acabadas a contrastar com outras coloridas e plásticas. Um miolo em que a estrutura é perceptível!
Hoje recordo os grandes sonhos que tive quando era sincero, quando não tinha manias, quando olhava para o céu e conseguia descobrir formas nas nuvens, recordo os meus sonhos. Tinha duas grandes vontades, ter uma casa com escada (não vou tentar perceber o porquê) e ter um cocker (de preferência fêmea).
Hoje quero sentir que sou um puto e que não tenho informação assimilada.
Mas é tarde demais, sou um puto quando me chamam à “razão”, sou um homem quando tenho “razão”!
É tarde demais... as vontades tornaram-se realidade, o “hoje” transformou os grandes sonhos em quotidiano. A casa não é nada mais que uma casa, e a cocker já viveu 16 anos.
Amanhã é sábado, vai estar a chover. O tempo urge, sou adulto e a Lady vai ser abatida, amanhã!
Hoje quero ser puto, mas já não tenho estes sonhos sinceros. Vou perder aquela que cá esteve sempre, que se manteve fiel, que me cumprimentava sempre que chegava... aquela com que brinquei e com que chorei. Aquela que sente a minha falta quando me ausento...
Hoje sou adulto e nenhum adulto consegue fazer arquitectura na escala destes sonhos, porque quando somos crianças, existem sempre adultos! Porque os sonhos também morrem.
Sim, até os sonhos morrem.