
O contacto com gente assusta-me, é rude. Foi demasiadamente precipitado. Consigo ouvir a respiração de cada um, observar cada pormenor... os pontos negros que carregam em faces óleosas.
Não sei onde centrar a atenção, é muita imformação sem um fim intêncional ou previsivel.
Há mais do que uma pessoa a ler o mesmo jornal gratuito, estranho é que parecem nem se conhecer!
Estou trancado numa das carruagens, cheira a gente.
Sinto receios há tempos ultrapassados.
"Diz-me com quem andas, dir-te-hei quem és!"
As pessoas são formadas pelo espaço e suas constituintes, serei eu inteligente o suficiente para conseguir absorver o positivo deste enlatado do quotidiano?
Que palavra esta, quotidiano, tudo o que é sedentário incomoda-me e provoca-me inquietação.
Os transportes públicos, quase tão maus como o próprio nome. Tento não tocar em lado nenhum.
Ao meu lado senta-se um homem que ri, talvez acomodado nas circunstâncias. Em frente vai uma mãe com respectiva filha, já adulta. Impossível não perceber, as pessoas distribuem-se pelo escasso espaço (dividindo 1 m2 com outra pessoa, quase algo intimo).
Estou sentado, há pessoas que nem lugar conseguem (ridiculo visto que pagaram a passagem).
Agarrado ao meu banco viaja um homem de fato cinzento, não sei se novo ou de meia idade. Impossível perceber, quase uma imagem preversa, mas se olhar em frente consigo perceber que quase toca com o falo na minha cara - Farei a viagem a olhar para a janela!
Serviços públicos, transportes públicos, instalações sanitárias públicas, ensino público, cheiros, imagens, contacto... Mau serviço.
A constactação do pobre com noções e ambições.
Vou tomar um banho quando voltar.
Vou voltar!