Sunday, February 15, 2009

Alexandre 15|2

Hoje recebi uma mensagem do Alexandre no meu Hi5.

Fiquei contente, receber notícias duma pessoa tão presente sabe sempre bem.
Por outro lado fiquei irritado.
Até que ponto quero receber notícias, até que ponto quero pensar que ele está longe?
Não temos falado muito desde que o deixei no aeroporto, estava contente por ele, ainda estou contente por ele.
As pessoas perguntam-me como as coisas estão a correr e eu respondo que bem. Mas a verdade é apenas esta, não temos falado.
Não procuro por isso.
O Alexandre é aquela pessoa que está presente na minha vida há alguns anos, um amigo próximo, a pessoa com que partilho momentos que me marcam e ficam registados para sempre. Aquela pessoa que dá puns comigo e rimos, rimos até não conseguirmos mais. A pessoa que sai comigo para os sítios mais impróprios e mesmo assim conseguimos sentir tudo como se estivéssemos na morada mais aliciante. É a partilha, a cumplicidade e a união efectiva. E tudo isto parece pouco para descrever a nossa relação.
Não me apetece sair, nem rir, nem nada.
Tenho estado por casa, ou naqueles mundos em que ninguém toca sem ser eu. Um estado anestesiado mas lúcido.
E não quero saber sequer que ele está longe, a qualquer momento vou ouvir o telemóvel tocar para combinarmos a nossa noite.
Hoje estive numa praia a beber café, fui agasalhado respirar um pouco do ar do mar, o médico disse-me que estava a precisar. Estava na esplanada e o rapaz que estava a servir demorou, depois esqueceu-se que me tinha atendido, esperei 30 minutos por um café e ainda me tratou na segunda pessoa do singular. Imaginei-me naquela situação contigo e comecei a rir. Além de ter esperado uma eternidade por um café trataram-me como se tivéssemos sido colegas de carteira. Um “Odeio Pessoas” seguido daquela careta :P

Eu sei que está tudo bem e que estás a aproveitar cada momento. E tu sabes que nada mudará, estou à tua espera.
“Fazes falta”.

Saturday, February 07, 2009

Festa Surpresa II 7|2

“Acordaram-me cedo, muito cedo. Senti que algo estranho me despertava. Ainda era noite, o sol não tinha iluminado o céu. Acordaram-me com pressa, antes que a realidade iluminasse o dia.
Desço e não estou cansado. Sinto que dormi o suficiente. Oiço conversas na sala, estão cá imensas pessoas que fazem parte da minha vida. Estou com um pijama vestido, de chinelos e de gorro na cabeça. E tudo está a acontecer por mim e para mim.
Vejo-me rodeado daquelas pessoas, bem vestidas para comemorar sei lá eu o quê. E num ápice cai-me a noção de estares no sofá numa agradável conversa com o meu pai. Fico estático e verbalizo o meu espanto pela tua presença. A minha mãe olha-me e sorri. Percebi que havia um consentimento explícito e que tudo existia até que o sol nascesse.
As pessoas distribuíam-se por toda a parte. Haviam fachadas novas, as ruas estavam arranjadas, a iluminação perfeita. Até havia um parque de diversões colorido.Senti-me feliz por todo aquele ambiente.
Levaste-me até ao pátio e tentaste mostrar que a tua presença valeria mais que todas as ideias que formulei até então a teu respeito. Dei-te o benefício da dúvida aquando vi uma lágrima envergonhada escapar desse olhar sorridente. Sentiste que o meu mundo era diferente de todos que até então vaguearas, permitiste que entrasse no teu coração.Acordo com a melodia do telemóvel, é dia. O sol nasceu e tudo se findou num céu azul claro, limpo e alegre.
Acordo feliz.
Acordo saciado de carinho e de sentimentos bonitos.
Obrigado pela surpresa, amo-vos a todos.
Adorei o décor, o ambiente propício aos sonhos, o consentimento explícito dos meus pais e a lágrima envergonhada que deixaste escapar. Sinto-me completo.”
(…)
Depois da despedida do Alexandre num daqueles sítios que só se consegue estar pouco sóbrio, saímos e vimo-nos depois da longa ausência.
“Envia-lhe uma mensagem. Tu és diferente, envia-lhe uma mensagem. Foram feitos à medida um para o outro.”
- Olá tudo bem?
- Sim e contigo?
- Também.
Baixei o olhar e fugi.
Não faz sentido lutar por isto. Não vale a pena quando não se é crente.
“Porque é que vens tarde demais, a tua mãe não te ensinou? Não chegamos assim tão tarde.”
Sonhei novamente.
Chegava de Paris e tudo se mostrava inverso à realidade. Era cá que me encontrava sozinho. Fui levado agrupado até ti. Vieste-me receber ao portão duma quinta gigante. Vinhas a sorrir e o teu olhar disse-me numa troca sincera que era eu que querias a teu lado, para sempre.
Abraçaste-me com força, uma força convicta e confortável.
Tive que me vir embora. Novamente, tive que voltar.
Deixaste-me partir com a certeza que era a mim que querias, sem máscaras e sem medos. Querias-me.
Acordei sozinho.
E enviei-te a mensagem.

“Porque é que vens tarde demais, a tua mãe não te ensinou? Não chegamos assim tão tarde.”

Tuesday, February 03, 2009

Alquimismo 3|2

Falo-vos da dança. Duma dança particular. Acompanham-se agrupadas num movimento de ar. São formas de vida agregadas a uma escala comparativa reduzida. Contrariam a gravidade, o vazio e direccionam-se a uma observação dum plano paralelo, o da essência.

Consequentemente assumo a problemática patente na observação. Observar partículas através dum foco de luz, que se movimentam no ar num espaço hipoteticamente vazio onde nada existe.
E o que é o Vazio, o nada, o zero?
Matematicamente o algarismo Zero (0, ou valor nulo) é o número que precede o inteiro positivo um (1), e todos os números positivos, e sucessor do um negativo (-1), e todos os números negativos. É definido como a cardinalidade de um conjunto vazio, e o elemento neutro na adição e absorvente na multiplicação. Quando na matemática surge "zero elevado a zero", gerado por contradição de duas convenções - todo número com expoente zero (0) tem valor um (1) e zero (0) elevado a qualquer número é zero). Adoptar o resultado de zero (0) elevado a zero (0) como sendo zero (0) gera contradições com outras convenções; usualmente estabelece--se, principalmente dentro do ensino fundamental, o resultado como sendo um (1). No ensino superior, o Cálculo consegue suster esse problema, explicando formalmente por que a Matemática considera o valor de zero elevado a zero como sendo indeterminado.
E sendo a matemática uma ciência exacta onde se posiciona o Nada e o Vazio?
As problemáticas existenciais desde sempre marcaram a humanidade num acto desesperante de obter respostas às diversas questões. Os paradoxos filosóficos e matemáticos são alvo de expressões abstractas para atenuar estas necessidades. E o vazio é um conceito na sua totalidade abstracto, não existe por nada conter, não existe por si só. O vazio seria um espaço em que não houvesse nem matéria, campo ou radiação. Mas haveria porém o espaço, ou seja, a capacidade de caber algo, sem que houvesse. No Universo não existe vazio, pois todo o espaço, mesmo que não contenha matéria, é preenchido por campo gravitacional, outros campos e pela radiação que o atravessa, de qualquer espécie.
No nada não existe nada, isto é, não há coisa alguma nem um lugar vazio para caber algo. O conceito de nada inclui também a inexistência das leis físicas que alguma coisa existente obedeceria, sendo o espaço o conjunto dos lugares, das possibilidades de localização, sua inexistência implica na impossibilidade de conter qualquer coisa. Isto é, não se pode estar no nada sendo um não-lugar.
“P. - O que está dentro dessa caixa? R. – Nada, está vazia.”
Estará mesmo a caixa vazia? Se o nada é um “não lugar” poderemos encher esta caixa, sendo portadora uma capacidade espacial? Pois bem, é assim que chegamos ao posicionamento do nada e do vazio no espaço. Que assume também nesta observação que proponho, uma posição paradoxal em confronto com estas duas palavras. O espaço pode ser direccionado a várias áreas, o espaço geográfico, o matemático, o físico, o sideral, o arquitectónico, o Filosófico, o informático, o político e o cultural. No entanto o espaço tem medidas que podem ser infinitas (como a perspectiva cónica em que duas rectas paralelas convergem num mesmo ponto infinito, mas que na realidade são sempre paralelas e duas rectas paralelas não são convergentes).
É neste “espaço vazio” sem “nada” que vos proponho observar.
Vamos aumentar a nossa escala de observação e vermos a dança das partículas.
Após as problemáticas de espaço, vazio e nada debrucemo-nos sobre a questão de escala que é igualmente controversa. Esta palavra pode ser aplicada mediante a sua condicionante, o seu limite, o seu raio de dimensão, tudo isto agregado ao factor “realidade”.
Visto isto a “escala” diverge mediante o tipo de “realidade” que a conecta.
Se tentarmos perceber “escala” entre conceitos abstractos e pouco explícitos corre-se o risco de se entrar em desacordo. Quebram-se assim os conceitos pela ausência da condicionante “realidade”.
Quando a “realidade” da “escala” é chamada “geral” (conceito abstracto) há que entre o discutido definir “geral”. O mesmo se aplica ao “local”.
As constituintes da madeira, aplicada na laje dum qualquer edifício, localizado numa avenida que por sua vez pertence a tal malha urbanística duma cidade específica, capital dum determinado país, constituinte da União Europeia, do globo terrestre que compõe a via láctea...* Falo de diferentes escalas que podem ser todas chamadas de “geral” ou “local”. É aqui que se coloca a problemática do abstracto. Há que definir a escala geral e a escala local para conseguirmos discuti-las, caso contrário entramos num sistema de redundância.

*(…) desconheço a continuação.

Sunday, February 01, 2009

Ainda sem título 2|2

Aqui no meu espaço, no atelier.
Ontem à noite abri as portas pretas e lisas, aquelas que preenchem a parede do fundo e descobri um rolo de fita.
Ontem descobri no armário do atelier um rolo de fita que utilizam para preencher uniões de placas de gesso cartonado.
Ontem, já tarde, aquele rolo de fita enrolado era a imagem do percurso.
Ontem desenrolei-o sem que quisesse perceber o fim. Ao canto pela pequena janela de madeira ouviam-se os chocalhos do vento nos guizos.
Ontem desmembrei os tempos e entrelacei-os Eu.
Ontem aqui no atelier ao som do vento joguei numa assertividade cíclica. Percebi a marca dum reflexo em que me posicionava no eixo da simetria.
Ontem foi uma noite diferente, as portas pretas e lisas marcaram o limite à temporada, vi e revi e entrelacei. E agora, aqui no atelier, tudo mudou.
Hoje percebi, tudo mudou.