Wednesday, February 28, 2007

Monday, February 26, 2007

Ao todo esquizofrénico 26|2

Tudo se passa num aniversário duma amiga. Estamos em Lisboa, na rua do coliseu a jantar num restaurante simpático.
Retorquimos teorias de vida, qual é o meu espanto quando alguém me fala em filtros.
Usamos filtros recebemos apenas a informação que este nos permite. É óbvio que usamos diferentes filtros mediante o género de situação. Gostei de ouvir alguém com este género de ideias, bem menos vistas entre tantos.
Senti-me tentado a partilhar também a minha teoria, olhavam-me espectantes, a medo comecei por explicar que a teoria era um tanto egocentrista, mas que tinha o seu sentido. Começa tudo por olhar para a vida duma forma mais abstracta. Vamos falar sobre um filme, o das nossas vidas. Todos os filmes são rodados com personagens, décores, timmings, opções... Neste filme existo eu, o “eu” está sempre presente em toda a estória, todos os outros são parte do elenco (uns com papeis mais relevantes que outros). Não existem porém, isto é, são partes duma abstracção se n estiverem presentes. Cada décor é estritamente tratado para o meu filme e é exclusivo.
Pode parecer descabido, porque aqui o “eu” é um narrador presente, mas se cada qual sentir o seu “eu” desta mesma forma a teoria começa a fazer sentido.
Teoria estranha esta, mas sinto que todos são o elenco da minha peça!


“...guardo a minha esquizofrenia no armário das batatas para criar grelo...”Marco Rocha



Sunday, February 25, 2007

Thursday, February 22, 2007

Wednesday, February 21, 2007

Tartaruga impaciente 21|2

Eu sou um animal, recebi um mail daqueles que nunca abro e faço questão que n me enviem, só enche a caixa de correio e incomoda me ter que os apagar, a verdade é que achei uma certa piada a este. Sou um animal, o resultado foi:

Você é uma tartaruga!

Este animal é o símbolo da sabedoria. Você sabe melhor do que ninguém que "devagar se vai ao longe" (é melhor fazer tudo com calma e de forma correcta para não tomar o caminho errado). Este seu jeito de levar a vida traz-lhe uma grande experiência, que poderá ser compartilhada com os outros. A tartaruga carrega muita bagagem nas costas. Lembre-se: você tem a voz do conhecimento.
Quando ela recolhe a cabeça, muitos pensam que é covardia, mas na verdade, daí vem todo seu poder de concentração.

Monday, February 19, 2007

Sunday, February 18, 2007

Saturday, February 17, 2007

Conversas de jardim 17|2

Tens tudo para dar certo, és uma pessoa que irradia talento.

Descer a esta consciência torna-se cada vez mais difícil, não só pelo facto de não acreditar, mas acrescido o factor tempo.
Aquilo que hoje é tão certo e efectivo, amanhã é lembrança bem mais ténue.
Relativar a coisa contraria o ser assertivo. Vejo cada qual com caminhos mais claros, menos perplexos, mais curtos. Pelo que sinto ansiedade de perceber qual será o meu, o que para mim me confunde torna-se difícil aceitar, por outro lado é o que me caracteriza da melhor forma.
Desejo felicidades aos que estão agora a definir.

Thursday, February 15, 2007

Testamento 15|2




























Um azul cerúleo para voar alto. Um azul cobalto para a felicidade. Um azul ultramarino para estimular o espírito. Um vermelhão para o sangue circular alegremente. Um verde musgo para apaziguar os nervos. Um amarelo ouro: riqueza. Um violeta cobalto para o sonho. Um garança para deixar ouvir o violoncelo. Um amarelo barife: ficção científica e brilho; resplendor. Um ocre amarelo para aceitar a terra. Um verde veronese para a memória da primavera. Um anil para poder afinar o espírito com a tempestade. Um laranja para exercitar a visão de um limoeiro ao longe. Um amarelo limão para o encanto. Um branco puro: pureza. Terra de siena natural: a transmutação do ouro. Um preto sumptuoso para ver Ticiano. Um terra de sombra natural para aceitar melhor a melancolia negra. Um terra de siena queimada para o sentimento de duração.


Maria Helena Vieira da Silva


Prucuro-me, vivo ou morto 15|2



Estou como o tempo, cinzento. É tudo uma questão de tempo.

Dançar e dançar. Soltar movimentos acompanhados de ritmos sensíveis. E deixar brotar os sons que mais ninguém conhece, são do mais intimo de mim.
Vivo em constante angustia, nasci num de dia de chuva. Tenho garantido o tal papel que procuro entender.
Ando a pairar por aí, acho que perdi o meu rasto. Era certa esta separação, mas e este vazio?
Desde cedo percebia cada coisa com uma particularidade sentida que passava além do formal. Eram as possas de água que se transformavam em lagoas fantásticas, as pequenas ervas em árvores centenárias, os pequenos montes de areia em serras com picos só alcançados por mim. A melodia do vento e o bailado das folhas secas, o mundo de pernas para o ar, a consciência plena de que a entrega seria certa.Feito, olho me ao espelho e não me encontro numa totalidade, separei me de mim num acto preciso e consciente. Para nos sentirmos alimentados temos que digerir, para mostrar o que sinto preciso da cruel angustia que me marca. Quem a sente por mim absorve cada toque, cada som e cada expressão. Pode eventualmente ser a ultima, porque não sou de ninguém, nem de parte nenhuma, suguem-me enquanto pensam que esteja.

A verdade é severa, nem eu sei de mim.

Monday, February 12, 2007

Em frente 12|2

Era um espaço fechado, escuro, o lusco-fusco salientava formas recentes onde a descoberta era muito mais que isso.
Apaga a luz, quero o lusco-fusco. Só assim te posso dar a conhecer tais formas, só assim consigo percebê-las.
É condicionar a observação, é estar atento e martirizar os que andam perdidos!
Já há muito que não sentia uma lufada de ar fresco, estava um pouco frio, tenho uma ligeira dor de garganta. É um sitio muito alto, sinto aquele medo apetecível, mas arrisco. Subo a custo a escada de ferro. Eis o cume, respiro.Quero a custo sentir, é algo que quero muito, sou convicto disso, mas é exactamente aquele receio de poder cair, juntamente com tamanha atracção de saber que é lá em cima que encontro tais sentimentos que me fazem trepar degrau a degrau, sem olhar para baixo... Porque é alto demais, porque o vento trespassa-me e provoca aquele arrepio, porque tem que ser.

Friday, February 09, 2007

Jogo de Palavras 9|2

Quarta-feira, dia 7 de Fevereiro de 07

Manhã de obrigações!
Uma noção precisa do que tem de ser feito a tempo exacto.
O dia sorria, com cores de inverno feliz. Rapidamente escureceu, é bem mais fácil lidar com comentários menos agradáveis à severa irreverência do desprezo!
Sinto um vazio... um reboliço complexo e agregado alojado algures na traqueia. Não o consigo digerir, muito menos o expelir.
Merda para esta gente que n sabe o que é sentir.

Quinta-feira, dia 8 de Fevereiro de 07

Manhã de obrigações, novamente.
Um para/arranca infernal.
E daí nomeiam-me Messias, tudo pelo facto de achar tal nomeação ridícula. Não pertence à vanguarda quem o deseja, mas quem sem intenção apresenta a ideia vanguardista. E mais analogias.
O sim foi formulado, mais tarde tomou vida com um inteligente e sentido jogo de palavras. Guardo comigo o “nada” ao qual associaste o “tudo”- Eterno paradoxo, passaste os pré-requisitos e o casting.
E senti o cheiro a terra molhada, o cheiro dos eucaliptos, o cheiro da maresia, novos “aromas”.

Sexta-feira, dia 9 de Fevereiro de 07

Resultado do concurso referente ao post “arquivo” – O vencedor é o Cod. DP, e declaro encerrado o prazo de votação. Mais uma pasta organizada, o departamento essência está encaminhado!

Monday, February 05, 2007

Arquivo 5|2

Era uma sala cheia, haviam cadeiras por todo o lado ocupadas por corpos doentes que imanavam bacilos. Um ritmo de partilha frenético.
Três horas de partilha, revoltas erróneas, atitudes consequentes.
Reclamação escrita, uma e outra palavra e a impressão do nada.
A volta é bem menos custosa.
E mais uma dificuldade, a da escolha, o ter que optar. Organizados os diversos espaços em pastas, cada uma organiza-se em diversas sub-pastas. Olhemos à pasta que engloba sentimentos, a mais complexa, a mais escondida. Aqui existem assuntos pendentes, bem recentes. Posso fechá-la de novo e escondê-la (sendo uma opção), posso por outro lado observar atentamente cada particularidade da diversidade de opção e assinar contracto (assumindo ser a escolha certa), posso também preferir a pasta aberta e ir testando cada possibilidade.
Posso organizar a minha vida em pastas ou até pensar que é um disparate e sentir, e só sentir... Mas isto do verbalizar o sentido agonia-me.

Pasta Sentimental - Relação

Sub-pasta 1 – Sensibilidade, inocência, ilusão, mau feitio e obsessão. Cod. CJ
Sub-pasta 2
– Experiência, estabilidade/instabilidade, charme, mau feitio e sexo. Cod. AM
Sub-pasta 3 – Charme, sensibilidade, coerência, mistério, admiração e ilusão. Cod. D.P

É disto que falo. Verbalizadas as opções, deixo em aberto a necessidade de escolha. Por breve que seja, temo o espaço que corre entre este exacto momento e a assinatura do contracto.
Votação em Aberto, faça a sua escolha acompanhada por respectivo código e de preferência especifique a razão do voto!
Agradedecidos, o departemanto da essência.

Sunday, February 04, 2007

Parabéns Avô 4|2




























É deveras importante a verbalização de situações, sensações, sentimentos.
O meu blog é um escrito sentido. Ciente duma publicação restrita, mas pública.
Revejo cada palavra sem que a pense da forma mais correcta, talvez por isso nunca me apaixone por textos, ou talvez sim, duma forma pessoal.
É quase que o meu amigo terapeuta, sei que por consequência há quem o visite frequentemente e um desabafo condicionado por tantas pessoas que conheces diferentes partes de mim, implica um texto abstracto da tal essência. Porque o que sou, não o sou de igual forma em todas as situações, porque em diversas situações estão presentes diferentes pessoas. E o espaço, esse condiciona a postura duma forma apaixonante! O espaço...
Não tenho grandes paranóias em relação a muitas coisas, sinto me uma pessoa esclarecida. No entanto, volto e revolto até chegar ao que não conheço. E não me conheço em tantas coisas, que se torna assustadoramente delicioso.
Gosto de me fotografar, de me olhar no espelho, sentir cada parte de mim, tentar percebê-la.
Gosto de ser observado, mas ainda mais de observar. Gosto de me perder em espaços com acessos públicos onde ninguém pode chegar se não eu.
No outro dia olhava uma foto minha de 5 anos, passaram então 18, parece que a tirei ontem, mudaram algumas coisas, mudou o mundo. Mas mantenho o mesmo olhar, o reflexo do que vai ca dentro. Era um puto isolado com mundos distintos, criava-os e vivia-os... eles mantêm-se!
E o que descobri afinal? Além do corpo?
Muito pouco, já trazia comigo a noção da passagem.
A noção da passagem!
Hoje faz 78 anos o avô deste puto, mas não é um avô, aquele senhor velho que se senta na sala a ver televisão e perde-se facilmente numa carência de juvenilidade. É muito mais que isso. A parte óbvia da minha formação, a pessoa mais interessada que conheço com esta idade. Uma das poucas pessoas que amo.
Parabéns avô, és um grande homem, sou um neto, um filho, um observador, um aprendiz muito orgulhoso.

E verbalizo, até perceber que coisa é esta.

Friday, February 02, 2007

Nada 3|2

Fisicamente é preciso distinguir três coisas: o vácuo, o vazio e o nada. O vácuo é um espaço não preenchido por qualquer matéria, nem sólida, nem líquida, nem gasosa, nem plasma. Mas pode conter campos: campo elétrico, campo magnético, campo gravitacional, luz, ondas de rádio ou outros campos não materiais.
O vazio já seria um espaço sem matéria e sem nenhuma outra coisa, nem campos, nem luz, nem ondas. Mas no vazio ainda haveria o espaço vazio, isto é, a capacidade de caber algo, só que não tem. No Universo não existe vazio completo, pois todo o espaço é preenchido por campo gravitacional e pela luz que o atravessa, além de
neutrinos ou outras partículas e campos, mesmo que rarefeitos.
No nada não existe nem o espaço, isto é, não há coisa alguma e nem um lugar vazio para caber algo. Além disso, o conceito de nada inclui a inexistência das próprias
leis físicas que alguma coisa existente necessariamente tem que obedecer. De acordo com o modelo padrão da Cosmologia (o Big-bang), o Universo surgiu de uma singularidade primordial que, no instante zero, iniciou sua expansão, gerando tudo o que existe, inclusive o tempo e o espaço.
Mas nesta singularidade estava contido todo o conteúdo de matéria-energia que sempre existiu e existirá. Antes dela, porém, havia o nada, isto é, não havia coisa alguma, nem vácuo, nem
energia, nem leis físicas, nem espaço vazio para se poder ter alguma coisa e nem mesmo o tempo decorria. O nada não é um lugar. É algo que não é lugar, um não-lugar. É impossível estar-se no nada porque sempre tem-se que estar em algum lugar.
Mesmo um
ponto infinitesimal está em certo lugar do espaço (que é o conjunto dos pontos, isto é, das possibilidades de localização). Por definição quando se fala de existência se fala da existência de algo. E o nada não é coisa alguma. O nada é um signo, uma representação linguística do que se pensa ser o nada. Só se conhecem representações dele, mas essas representações têm origem mental, pois não existe o nada.
A definição de "nada" se dá somente por meio da negação de tudo o que existe, portanto o nada não é definido ou conceituado positivamente (uma definição é se dizer o que a coisa é), mas apenas representado, fazendo-se a relação entre seu
símbolo (a palavra "nada") e a idéia que se tem da não-existência de coisa alguma. O "nada" não existe, mas é concebido por operações de mente. Esta é a concepção de Bergson, oposta a de Hegel, modernamente reabilitada por Heidegger e Sartre de que o nada seria uma entidade de existência real, em oposição ao ser.Matematicamente o conceito é equivalente ao de "conjunto vazio", que é o conjunto que não possui elementos, mas que é um dos elementos do conjunto dos subconjuntos de um conjunto. Assim o "Nada" seria um dos elementos do "Tudo", ou do Universo. Esta concepção, aplicada à física, todavia, não possui base fenomenológica sustentável.