Monday, May 28, 2007
Sunday, May 27, 2007
Thursday, May 24, 2007
Tuesday, May 22, 2007
Ansiedade 22|5
Fumo e fumo, a ansiedade não me larga. Mudo a música, mas não há nenhuma que me acalme. Já gritei, saltei e nada.
Volta rápido, preciso dum abraço teu.
Tens uma grande responsabilidade em mãos, se o deixas cair – parte-se. Cuida-o bem. Nunca o entreguei desta forma a ninguém.
Sinto uma vulnerabilidade terrível, uma asfixia que insiste. Sinto que preciso de ti. Até já.
Monday, May 21, 2007
Sunday, May 20, 2007
Aceitas? 20|5

Sinto coisas estranhas, coisas boas. Sinto o que pensei ser impossível, a marca registada da sensibilidade humana, a mais apurada.
Jantar combinado com o Rui, coisa pequena que acaba num grupo de 12 pessoas. O Alexandre também foi, viajava para Barcelona na manhã seguinte. Foi muito agradável. Recebi um abraço, daqueles tão característicos só dados por ele. Gostou de ti. Gostou de me ver feliz contigo.
Recebemos a Yen Sung, o ambiente moldou-se a isso. Simpática, estranha também. Uma conversa agradável e Lux. Dançámos e divertimo-nos, estavas ali.
Voltámos tarde, sentámo-nos na sala e o cansaço era perceptível.
Gostei de estar nervoso, de tremer, de te sentir.
Acordamos tarde, tenho duas mensagens do Alexandre no telemóvel, já chegou a Barcelona. É bom acordar a teu lado, é bom sentir-te perto.
O Rui levantou-se mais cedo, comprou comida e t-shirts para personalizarmos, vamos todos para o Creamfield. Pintaram as vossas, eu preparei a surpresa.
A meio do concerto dos Placebo, despi a minha, estava frio e disseste – “Então?”. Observaste-me com atenção. Virei a t-shirt do avesso e voltei a vesti-la. Estava envergonhado. Voltei-me de costas e comecei a andar numa direcção contrária a ti. Seguiste-me, tinha uma frase escrita nas costas.
Parei, viraste-me e disseste com um sorriso lindo: “Claro que sim!”. Refugiámo-nos num beijo sentido e num abraço forte. Estávamos no meio da multidão, mas por momentos senti-me só contigo.
Foi dos momentos mais bonitos da minha vida, aqueles que acontecem e nos marcam para sempre. Estou apaixonado, muito apaixonado.
Toco-te novamente, tocas-me. Sinto o teu corpo e o meu na fusão perfeita que me move.
Vou guardar eternamente esta t-shirt, como o que sinto por ti. Quero cuidar e manter.
Cheguei a casa Domingo, já tarde. A minha mãe resmungou, é o segundo fim de semana fora, mas percebeu rapidamente que o brilho que trago no olhar é o espelho da minha felicidade. Abraçou-me e deu-me um beijo. Mais tarde fomos ao café e contei-lhe que te pedi em namoro desta forma. Ela sorria feliz. Perguntou-me se o Alexandre tinha gostado de ti, ficou contente por saber que sim.
Agora vou trabalhar, tenho entrega de projecto esta quarta. Tu estas longe, mas perto, não paro de pensar em ti com aquele sorriso que não me abandona.
Adoro-te.
Tuesday, May 15, 2007
Green eyes lover 16|5
Porque respiro e o oxigénio não é suficiente para alimentar os meus pulmões acelerados. Porque não controlo as batidas cardíacas.
Porque te desejo de uma forma muito especial.
Porque esperei até acreditar que não era possível e provaste-me o contrário.
Porque tens umas mãos lindas, uma expressão apaixonante, um olhar sentido.
Porque quero gritar ao mundo a nova tonalidade do céu.
Porque sim, porque as coisas acontecem quando menos esperamos.
Porque tinha que ser assim inesperado, porque estou feliz.
Porque antes de ires embora já tenho saudades.
Monday, May 14, 2007
Ao Rui... 14|5
Combinámos no elevador da Bica às 20.45, não me deu a morada. Fiquei sem bateria no telemóvel e esperei cerca de uma hora, esqueceu-se entre pratos e comidas para o jantar que eu continuava lá, à espera.
Era perto, demorámos pouco. Chegámos à porta e quase que por magia um rapaz de olhos verdes, muito bonito por sinal, abre-nos a porta e aqui começam as apresentações. Este é o Dário, este é o Bruno, esta é a Quina, este é o tal esta é a tal... foram muitos e eu não conhecia ninguém. Socializei entretanto com as pessoas que estavam a ajudar a preparar as coisas, a Quina e o Bruno.
A casa muito bonita, mobilada com bom gosto e com um espaço exterior fantástico e isto em pleno Adamastor (lindo).
Estive por perto destas pessoas quase sempre, o assunto fluía com alguma dificuldade, a certa altura pediram-me para falar de materialidades e técnicas de desenho. Senti-me um tanto ao quanto constrangido.
Bebemos imenso, poncho e uma bebida branca que dava por nome Wodka, enfim muito mesmo. O grupo uniu-se nesta altura, tudo bem mais solto. As pessoas eram todas diferentes mas juntas conseguiram dar um carisma perfeito à festa do Rui.
E fotos e flash e mais fotos e mais bebida. É captado o primeiro beijo. E o Rui fica feliz, salta e ri.
Acabamos por ir para o Lux. A fila enorme e o nosso grupo muito grande por sinal. Entrámos todos pela direita. Sem qualquer problema, tentei abrir os olhos e parecer sóbrio, em vão, o António apertou-me a mão como costume e a sra loira e alta elogiou o meu cabelo (não me recordo se respondi alguma coisa). Dancei muito, estava solto, beijei quem me atraiu desde inicio. Sem qualquer pudor, preconceito ou noção de espaço. Estava bêbado mas lembro-me perfeitamente o que fiz. Não me arrependo. Estou Feliz.
Voltamos e dormimos, passei o Domingo na mesma casa. Falámos, estávamos sozinhos. Agrada-me o facto de ter sido assim, sem qualquer tipo de constrangimento, sem precipitações.
Foi um bom fim de semana.
Chego a casa tarde, a família ainda acordada. Mostro algumas fotos, conto o que se passou. Estou com um sorriso contagiante. Sincero, admito.
Vejo o mail, o 4meet e o blog. Mais um comentário anónimo no blog a reprovar a minha postura daquela noite. Quanto ao facto de ser anónimo, já nem me dou ao trabalho de comentar, quanto à minha postura no Lux, tenho a dizer que voltaria a fazer o mesmo com a pessoa em questão. Porque sim, porque estou feliz. A verdade é que num estado sóbrio talvez não o tivesse feito tão explicitamente. Mas nem eu nem ninguém mantém uma postura 100% correcta. Além do mais neste caso o que será correcto? Sentir ou isolar isso como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Não me lembro de ter visto ninguém conhecido, não me lembro de ter cumprimentado ninguém. Não me lembro de nada para além do nosso grupo, faltam frames na estória.
Mas guardo comigo o bom da coisa, os olhos verdes, o sabor do beijo, a impressão estranho no estômago, a vontade de gritar ao mundo que me sinto apaixonado.
Que este anónimo consiga um dia ter este sorriso patético que carrego na cara, é a única coisa que desejo. (até sou simpático, lol)
Obrigado a todos os que me conhecem, alcoolizado ou sóbrio, triste ou contente, calmo ou furioso. São vocês que me fazem acreditar que sou capaz.Parabéns Rui, a tua festa contagiou-me duma forma muito especial.

Thursday, May 10, 2007
Monday, May 07, 2007
Incondicionalmente TEU 7|5
Quarenta e quatro, quatro e quatro. E já contas quatro capicuas três das quais com duas minhas presente.
Foste a pessoa que me ensinou a pessoa que defendo ser hoje, foste a pessoa que me ensinou a amar, que percebe cada olhar com a ausência da palavra. Cada suspiro.
É por conhecer tão bem uma coisa que nos tornamos perfeccionistas, nada admitimos que de menor valor.
E de valores, enriqueces-me. De momentos congratulas-me. De amor fazes-me feliz.
E o que posso eu dizer quanto a estas características todas?
És Mãe, Mulher, Senhora, Lutadora, Persistente, Convicta, Esforçada, Inteligente, Apaixonante, és a sombra que me acompanhará para sempre.
Serei o teu eco mais profundo.
De sempre e para sempre teu, com toda a força que tenho em mim. Amo-te.
Amo-te incondicionalmente.
Parabéns.
Thursday, May 03, 2007
"Era uma vez" - Acto 3 4|5
São três da manhã, enquanto ditas, vou digitando a crítica que tens que deixar pronta. Estás atento e tentas ao máximo formular um texto coerente. Ainda consigo esboçar um e outro sorriso, desconcentras-te. Perguntas qual o motivo e sem querer que percas o raciocínio releio o que acabaste de ditar.
Reparas que estou cansado, acabo por adormecer quando dizes só faltar reler e corrigir algumas coisas.
Já estou deitado, tapas-me e sinto-me aconchegado.
Acordo às sete da manhã, vou tomar um banho, deixo que durmas mais um pouco. Já temos os sacos de viagem preparados, e o voo para Barcelona é às dez. Saio da nuvem de condensação que se formou para desfocar o padrão kitsh dos azulejos que cobrem as paredes velhas da nossa casa de banho e tu já estás a preparar o pequeno almoço, cheira a torradas. Estás com ar cansado.
Não demorámos muito até sair de casa, disseste-me que acabaste por adormecer às 5 da manhã. O texto estava mal formulado e alterava a ideia que tinhas da crítica.
Estamos com ar de directa, não descansámos o suficiente.
Chegámos ao aeroporto e dirigimo-nos ao chek- in, o avião está atrasado, tu sem paciência, passo sorrateiramente a minha mão por a tua e tento te acalmar. Mantemos os óculos escuros.
Vamos comprar tabaco, fica mais barato. Compramos dois volumes.
O avião descolou com uma hora de atraso. Está cheio, com pessoas estranhas. A teu lado viaja uma Sra. gorda que ocupa o descanso do teu braço. Começas a suspirar impaciente. Tento que te acalmes.
Chegados a Barcelona deparamo-nos com o “grande problema”, as nossas malas foram desviadas, entraram no avião errado. Estamos com pouco dinheiro, temos a roupa do corpo, mas nem força temos para nos mostrar chateados com a situação, olhamo-nos sem proferir qualquer palavra e seguimos à procura duma pensão.
A certa altura conhecemos um tipo que mete conversa connosco, é peruano. Chama-se Carlos, tem os seus 20 anos e um paleio estranhamente convicto para o aspecto de bandido.
Consegue convencer-nos a acompanhá-lo, diz conhecer uma pensão. Não gostei que tivesses cedido, não o conhecemos de lado algum e estamos num sitio que não conhecemos.
Estamos no centro da cidade, chegámos À pensão, tem uma aura bonita, embora seja um edifício velho. Entramos e o Carlos fala com a Dona, uma mulher gorda, de seus 50 anos, com alguma dificuldade em mover-se. Tem varizes nas pernas e fuma como se não houvesse amanhã. É bonita.
Agradecemos ao rapaz e seguimo-la, ao subir a escada de madeira que dá acesso ao corredor que distribui os acessos aos quartos, tentas ajudá-la. Fita-te com um olhar reprovante de quem é capaz de subir cem escadas iguais àquelas. Olhas-me e sorris com ar de gozo. Ficamos na porta do fundo, a única que está de frente para o corredor.
O quarto é florido, o soalho de madeira. Cheira a limpo. A janela dá para um saguão. Despimo-nos e tomamos um banho juntos, abro a pequena janela com vidro igualmente floreado e deparo-me com uma vista magnífica sobre a cidade.
Acabamos por adormecer, exaustos e nus sobre a cama.
Mais tarde, batem à porta com convicção, entra pelo quarto o belo do rapaz peruano. Diz para nos vestirmos que nos vai mostrar a cidade. Sorris com o teu ar aventureiro sem que sequer te aperceberes que estamos nus à vista dele. Não achou estranho o facto de estarmos assim.
Fomos até uma casa de jogos, com mulheres de aspecto duvidoso. Havia uma loira, cabelo queimado do sol, meias de rede, mini saia e um decote que mostrava mais do que cobria. Esperámos cá fora. O Carlos demorou cerca de 20 minutos até voltar com um sorriso explicito na cara. Fomos de mini 1000 até uma tasca onde nos levou a jantar. Percebemos depois que o carro era roubado.
O Carlos conhece esta gente toda e somos recebidos com todo o cuidado. Servem-nos comida peruana. Tu estás encantado com tudo o que se está a passar, eu com o receio habitual. Dás-me a mão por baixo da mesa e tentas acalmar-me. Decido perguntar ao Carlos o que faz da vida e de repente então três transformistas aos gritos, um pandemónio histérico. São amigos/as do Carlos e convidam-nos para ir-mos assistir ao show que vão fazer. Nenhum de nós aprecia estas práticas, mas somos obrigados a aceitar.
Levam-nos para um cabaret, um sitio lindo, kitsh. As mulheres muito bem arranjadas, muito produzidas, os homens rudes, com mãos ásperas do trabalho. Um ambiente caricato e apaixonante típico flamengo. O Carlos chega entretanto com uma miúda de 16 anos. Olhamo-nos e sorrimos.
Bebemos sem nada pagar.
Somos levados para a discoteca mais badalada da noite, a fila é grande na porta de entrada, não estamos vestidos de forma adequada. O peruano com roupas largas e pouco cuidado, acena a um dos porteiros, fazem-nos sinal e passamos à frente daquela gente toda, temos mesa reservada e servem-nos champanhe à conta da casa.
Estou estupefacto e falamos em privado, não consigo entender o que se está a passar, quem é este rapaz, como é que tem estas facilidades. Tu concordas com estes factos estranhos mas estás a adorar o facto de parecer que estamos como personagens dum qualquer filme da máfia.
Acabamos a noite a dançar até que o Carlos sai com uma mulher, vamos atrás e despede-se com um acenar de mão.
Contámos os trocos que tínhamos nos bolsos, somamos dez euros. Vamos até ao taxi mais próximo, perguntas quanto é a viagem até à pensão e diz-te que são quinze euros, contas-lhe a situação e aceita levar-nos por dez. O Sr. fala português, conta-nos experiências passadas enquanto dá voltas pelas partes mais bonitas da cidade. Chegámos finalmente à pensão, vamos buscar as poucas coisas que deixámos no quarto e pagar a estadia. Em vão, o rapaz peruano que dava por nome Carlos já o tinha feito.
Fomos no mesmo taxi até ao aeroporto e no acto do pagamento o homem não quis aceitar o dinheiro, insisti, mas não aceitou. Lembrei-me que levava comigo o diário gráfico do qual arranquei um desenho e lho ofereci. O homem enrugado sorriu.
Dormimos no avião. Acordámos antes de aterrar. Estranhamente a mulher que te incomodou na ida, acompanha-nos na volta, parece Karma. Beijas-me e fica escandalizada.
Chegámos finalmente a Lisboa, procuramos saber das malas e pedimos para que nos sejam entregues em casa. No caminho até casa fazemos o resumo de tudo o que se passou, talvez nunca mais vejamos o Carlos, nem a mulher da pensão, nem o Sr do taxi que tencionava vir a trabalhar em Portugal. Subimos, tomamos um banho e adormecemos juntos. Fim de semana em Barcelona.
Wednesday, May 02, 2007
Tuesday, May 01, 2007
"Era uma vez" - Acto 2 1|5
Optámos por ir a um café próximo comer qualquer coisa. Os donos eram duas pessoas muito atenciosas, um casal já idoso. Muito simpáticos. A neta, uma menina de 3 anos, cabelos loiros em canudos perfeitos e pele branquinha simpatizou connosco. Bebemos café e fomos até à praia que estava deserta. Já era noite e levamos duas mantas e velas. Estávamos vestidos de branco, calças de linho, largas, eu de t-shirt, tu de cavas. Levámos também vinho branco, bem fresco.
Bebi pouco, mas como habitualmente, fiquei logo alterado. Sempre tiveste mais resistência ao álcool. Estavas sentado nas mantas e olhavas-me atento, rias das minhas palhaçadas, tomavas conta de mim. Corria dum lado para o outro, saltava e gritava. Seduzia-te e provocava-te. Estavas preste a ceder.
Tirei a t-shirt, em seguida numa dança descoordenada as calças de linho, estava nu, sem roupa interior. Olhei-te nos olhos e comecei a correr em direcção ao mar.
Levantaste-te rapidamente e correste para me agarrar. Tropeças e agarras a minha perna, provocando a minha queda. Rimos. Começas por me beijar as pernas e vens subindo. A medo, com receio que apareça alguém, deixas-te envolver. Vem uma onda e molha-te ainda vestido. Reclamas e riu como lunático apaixonado. Tiro-te a roupa e cedes. Fazemos amor.
Subimos e acabamos por adormecer nus, envoltos na manta. As velas ainda se mantinham acesas.
Acordo mais tarde com um calor assumido, oiço barulhos à volta. Espreito e vejo famílias. Estamos nus e agarrados envoltos numa manta. Acordo-te e tentas-me beijar ainda atordoado pelo sono. Sussurro-te a situação e soltas uma gargalhada. Vestimo-nos debaixo da manta, com o linho ainda molhado e as formas perceptíveis e saímos dali rapidamente. A cera das velas fundiu-se na areia. Tu ris que nem um perdido enquanto mantenho a cabeça baixa com vergonha.
O velho guarda do parque insulta-nos pela situação e contemos ao máximo a vontade de rir, ambos lecrimejamos com tanta vontade de gozar com a situação. Mal ele vira as costas, corremos até longe onde rimos que nem perdidos. Rebolamos no chão, rimos até nos doer os maxilares e os abdominais. Comento ter fome, passamos pela tenda, vestimos uns calções e vamos tomar o pequeno almoço ao café do velho casal simpático. A miúda abraça-te em primeiro, logo em seguida me dá os bons dias da mesma forma. A sra. sorri e atende-nos. Comemos e continua a insistir para que comamos mais e mais.
Quero peixe para o jantar, dizes que o Tommy (teu amigo) vem ter conosco e podemos sugerir que seja ele a pescar, sendo que gosta desse género de actividade. Ligo à Penélope e ao Alexandre que estão também quase a chegar.
Vamos buscá-los à entrada do parque, montam as tendas e seguimos para a praia.
O tommy, mergulha. O Alexandre dorme na tolha cheio de bronzeador. Eu, a Penélope e tu fazemos um castelo gigante que mais tarde ameaças destruir. Digo-te que se o fizeres dormes fora da tenda, a penélope ri. Tu pisas parte da muralha e sais a correr. Vou atrás de ti furioso a jogar areia molhada até que sem querer atinjo um casal gay, muito efeminado e começam a resmungar. Pedes desculpa por mim e simpatizam contigo, querem meter conversa contigo. Chego perto, desprezo-os e digo-te que em vez de dormires fora da tenta, farás amor comigo a noite toda. Ficas constrangido mas achas piada.
Quando chegamos perto das toalhas empurro-te e cais em cima do castelo. Estou com ar de poucos amigos. A Penélope ri e diz uma piada em criolo, o Alexandre também percebeu. Fico ainda mais irritado quando me sussurras outras palavras em criolo ao ouvido.
Nisto chega o Tommy com quatro peixes enormes, temos jantar.
Levantamos as toalhas e preparamo-nos para ir embora. Mantenho o meu ar chateado. E discretamente pergunto ao tommy o significado de “um ta amob” ao que ele me diz significar “amo-te”. Foi o que me sussurraste ao ouvido. Mas n me descaí, mantive a postura de quem está chateado!
Chegados ao acampamento, a Pen e o Tommy preparam o peixe, o Alexandre o lume. Eu agarro no champoo e gel de banho e dirijo-me ao balneário. Segues-me sem que perceba.
É uma hora péssima, todos tomam banho a esta hora, o balneário está cheio e fazem fila para tomar banho. Entro num individual e tu no do lado. Jogas o sabonete por cima e percebo que estás ao lado e sem que ninguém perceba, saltas para o meu. Sorris e eu também, não podemos fazer barulho. Percebes que n estou chateado e fazemos amor com pessoas num raio de 3 metros à espera para poderem entrar.
Saímos os dois com tolhas envoltas na cintura e olham-nos com ar recriminante. Rimos.
Chegamos à tenda, o peixe está pronto. Vestimo-nos e comemos. Estás bonito, com pele morena, cheiras bem.
Combinámos ir até um bailarico de reformados na zona, têm vinho branco a 40 cêntimos. Mas não permanecemos lá muito tempo, fugimos sem que ninguém percebesse. Saltamos a vedação e corremos por uma estrada escura que vai dar à praia, levo uma garrafa de vinho, já estava-mos bêbados. Chegámos à praia com aos gritos, despimo-nos e entrámos no mar. A lua estava cheia, a água quente e via-se o fundo do mar. Saímos e fazemos amor à beira mar com a espuma das ondas a tocar-nos.Voltamos ao baile e encontramos a Pen e o Tommy à espera sentados no chão à porta da vedação do baile, chateados, o Alexandre também tinha fugido com alguém. Fomos então os quatro até ao miradouro, acompanhados das estórias míticas e fantasmagóricas do Tommy. Abraças-me porque sentes o meu medo. A Pen abraça-se ao Tommy e percebemos ali um clima, fugimos abraçados até à tenda onde adormecemos com a lanterna acesa.
"Era uma vez" - Acto 1 1|5
Moramos num pequeno apartamento no centro da cidade de Lisboa. Comprei sushi no super mercado, não tinha muito dinheiro mas queria fazer-te uma surpresa quando chegasses a casa. Para sobremesa escolhi fondeu de chocolate com morangos.
O tempo está frio.
Deixo o sushi no frigorifico e preparo a mesa antes de chegares. Está bonita.
Ligo a aparelhagem com o som baixinho em tom de Jazz.
A chuva lá fora é forte.
Sinto o barulho das chaves a abrirem a porta. Dirijo-me até lá para te receber. Estás a pingar. Beijas-me com um sorriso e ajudo-te a tirar o casaco. Vamos até à casa de banho e preparo um banho quente, enquanto te despes. Entras e fico atento ao teu corpo arrepiado. Estou sentado no chão com a toalha no colo, está tudo embaciado. A casa é antiga, não temos janela na casa de banho. Contas-me o teu dia, enquanto atento aprecio cada forma dos teus movimentos. Vou emitindo sons, como sinal de uma atenção desfocada.
Acabas de tomar o teu banho e pedes me a toalha. Estou nu com a toalha na mão. Sorris, agarras-mo no braço e puxas-me para dentro da banheira. Voltas a abrir o chuveiro porque estou frio, deitas água quente sobre o meu corpo. Beijas-me novamente e estás atento à minha respiração. Percorres cada parte do meu corpo pálido do inverno. Fazemos amor.
Quando terminamos percebo que só existe uma toalha ao nosso alcance e depois de te enxugar a cara envolvo-te e a mim nela.
Vestimos roupa quente e vamos para a cozinha onde te surpreendo com o sushi. Preferes comer no chão da sala, em cima do tapete felpudo.
Enquanto comemos, falamos do nosso dia. A televisão está ligada e sem som, está a passar um qualquer filme romântico dos anos 50. A música que se ouve é o repeat que deixei programado antes de chegares, mantém-se o Jazz.
Pego num livro que deixaste em cima da mesa, o tal que precisas ler e fazer uma crítica até amanhã. Estás a meio. Leio-te em voz alta. Estás deitado com a cabeça no meu colo e escutas-me atento.
Acabo e vou tratar do fondeu enquanto entusiasmado despachas a critica com alguma brevidade.
Trago os morangos e o chocolate já quente.
Aguardo uns minutos, estás a terminar.
Agarras num morango, molhas no chocolate e degustas com muito prazer. Vejo na tua cara, a expressão malandra que te caracteriza. Agarras outro morango, voltas a passar pelo chocolate e sujas-me a cara, soltando uma gargalhada. Retorqui da mesma forma.Fazemos novamente amor depois de lambermos mutuamente o chocolate que nos marca riscos na face. Foi forte, foi lindo.










