Friday, November 28, 2008
Thursday, November 27, 2008
Acto vigésimo-primeiro - Au revoir 27|11
Esta música é para ti em particular. Este post é para ti em particular.
És das pessoas mais importantes da minha vida e NUNCA vou permitir que ninguém te faça mal.
Estou longe mas vou estar sempre por perto. E dia 9 volto para te abraçar.
Please keep fighting.
Amo-te
Monday, November 24, 2008
Acto vigésimo - Au revoir 24|11
E as luzes cintilantes marcarem o ritmo certo.
Até as folhas em tons dourados podem cobrir as calçadas para me verem passar.
Pode o mundo viver a meu favor.
Podem nascer e morrer todos os seres a berrarem por aprovação.
E sorrirem-me sendo único.
Podem pintar o céu das cores mais sinceras.
Relativar o ciclo em vozes supremas.
E morderem-se por mim.
Podem chorar e dar gargalhadas.
Podem chamar-me a cada segundo numa melodia ensurdecedora.
Criar e criar e vomitar a pleura num extenuante frenesim.
Podem sentir-me sem que esteja.
Podem até fingir que não existo.
Podem percorrer estradas calcetadas de joelhos.
E rezar, rezar todos os dias.
Posso estar embriagado e fingir que não vos pertenço.
Podem marcar isso em mim.
Que se incriminem os que nunca pecaram.
Sejam mortos os outros tantos que se têm como imunes.
Desculpa.
Acto décimo-nono - Au revoir 24|11
“Mas não agora” – Desculpa de fumador.
Na verdade não fumo apenas porque estou dependente, mas porque tenho um enorme prazer em fazê-lo.
E nesta altura de exílio sentimental nunca me sujeitaria a isso.
Quero deixar de fumar.
Conheci um Sr. Parisiense, um dos poucos que restam, um dos verdadeiros, com uma educação irrepreensível, com ar limpo e com bom aspecto. Uma pessoa com muito bom gosto. Quando fui convidado para um jantar na sua casa (em plenos Champs Elysees) disse-me para fumar, porque o cheiro do tabaco era agradável e gostava de o sentir.
Estranho, pela primeira vez na vida ouvi algo do género e como curioso que sou comecei o questionário.
Deixou de fumar aos 40 porque deixou de ser jovem e alega que a aparência jovial suporta muitas coisas que mais tarde não são viáveis. No fundo não quer ser um velho que tosse e cheira a tabaco.
Deixo de fumar aos 40.
Entre muitos assuntos, este do tabaco/idade despertou a minha atenção.
Dizia que não queria voltar aos 25, para ele as pessoas começam a existir aos 30, começam a ter opinião social com a possibilidade de a colocar em prática. Na minha idade tudo parece difícil, o mundo vira as costas aos nossos sonhos.
Ao que retorqui dizendo “É difícil viver e mais ainda saber viver”.
Ele sorrio, sereno.
Friday, November 21, 2008
Thursday, November 20, 2008
Acto décimo-quinto - Au revoir 20|11
Wednesday, November 19, 2008
Acto décimo-quarto - Au revoir 19|11

Acredito que isso nos faz crescer, e crescer até ficarmos fortes como uma velha arvore, que apesar de velha é a mais forte de todas.
Imagino o teu olhar expectante enquanto te maravilhas com o cintilar da torre Eiffel, enquanto fumas um cigarro e segues o fumo que sai da tua boca em busca do frio.
Imagino o quanto te deves sentir só nos momentos em que sentes o aperto no peito que as saudades provocam.
As saudades dos sorrisos com os amigos, o estar perto da lareira nas noites frias em que estavas em família, as saudades que deves sentir das noites loucas que vivemos na nossa pequena, mas grande cidade.
Apesar de tudo não te olho com pena alguma, mas sim como um guerreiro, afinal é o que tens sido no último mês de experiência, de vivência de um sonho.
Lembro-me que há dias enquanto lia o teu blogue reparei numa frase que escreveste, dizia assim, “sou um prisioneiro dos meus próprios sonhos”.
Mas afinal pergunto eu agora, não é bom ser prisioneiro dos nossos sonhos, ao em vez de seres prisioneiro dos sonhos dos que nos rodeiam?
Por isso e apesar de saber tudo o que estas a sentir, continuo a apoiar-te e a afirmar que te quero aí em paris, para que a tua carreira seja realmente ao nível do que tens sido até então, uma extraordinária pessoa, um maluco que sonha mas que apesar de tudo corre atrás dos seus sonhos, e a meu ver é um valor nobre, e acredita que tu és o rei no que toca a faze-lo.
Há uns dias sonhei como seria estar ai em paris com o meu amigo Dário mais a pessoa que até então me tem acompanhado, o meu pequeno Lucien.
Sonhei com sorrisos com um passeio pelos jardins etc etc...
Nem vais acreditar quando acordei não queria ir mais, tenho medo, e acredito que o medo será maior, é como ires ao poço beber agua e depois não conseguires subir por entre as pedras cheias de agua e musgo, acho que vai ser bem mais difícil a separação ai nessa cidade que ora te acolheu do que dizer adeus no aeroporto de Lisboa, e depois essa é a cidade que talvez me irá roubar o amor mais intenso que vivi até então, por isso questiono, será paris uma cidade a gostar?
Enfim....
As coisas que me passam pela cabeça.
Tenho estado algumas vezes com os teus irmãos, a duas semanas com a Telma e ontem com o Daniel, gosto de estar com eles, sinto-me bem, sinto-me mais próximo de ti.
Apesar de tudo eles estão bem, e até falei o que se poderia fazer na festa de aniversário que se aproxima, gostava que eles se divertissem acho que lhes faria bem.
Enfim tenho que ir mas quero aqui dizer-te que já falta muito pouco para encontrarmo-nos novamente, desta vez na cidade que tanto falávamos
Beijo muito forte Rui Ventura your friend...
Li este mail várias vezes. Senti este mail em situações diferentes para tentar responder da mesma forma que me chegou. Intensa.
E só hoje respondo, não por ser um dia especial, não por estar cinzento lá for (está assim todos os dias, triste), mas porque não posso deixá-lo sem resposta.
Porque naqueles dias em que a saudade aperta num acto desesperante de vos ter perto e poder tocar-vos, são os vossos nomes que soam mais alto.
Porque sempre que me entusiasmo com a vida aqui, são os vossos rostos que se assumem e perco a vontade.
Porque esse calor tão especial não se encontra, constrói-se.
Porque o sol é especial quando me sinto perto.
E sim, fascinam-me estes cantos e esta cidade. Mas a cidade não vale muito, porque não me preenche.
Aceitaria a cidade fria, as pessoas como células mas eu não me integro, quero mais que isso. Aceitaria as faces estranhas e a mistura de gente, o metro sujo e feio, com odores insuportáveis, mas nunca estar longe. E quando refiro espaço não o refiro psíquico/sentimental porque aí vocês estão presentes todos os dias, em cada momento.
Há dias em que fecho os olhos, quando estou deitado e começo a imaginar que estou mo meu quarto. Fecho os olhos e imagino a minha almofada, o aconchego da minha cama, a janela na minha cabeceira que me acorda todos os dias, o móvel branco à esquerda… e se esticar o braço consigo tocar o chão de madeira. Abro os olhos cansados e nada disto é real, fecho-os novamente e já não consigo fazer o mesmo, sinto-me distante e desapontado, sinto-me sozinho e um pouco infeliz.
E nada disto muda o que venho fazer, nada disto faz com que deixe de acreditar e de correr para determinado objectivo.
E ser “Rei” implica ser frio e severo, talvez o seja, porque vos abandonei sem sequer perceber as consequências.
Lembras-te daquela noite? O olhar verde que me abriu a porta, tu percebes-me tão bem. Tu soubeste ao pormenor que me iria tocar daquela forma tão doce.
E o abraço do Lucien já por cá. Senti-me tão quente, senti-me tão perto.
Tenho saudades, e isto é bem diferente do que alguma vez possa ter citado. Tenho Saudades.
Todos os dias tenho pesadelos, todos os dias acordo triste, todos os dias calo-me e observo tudo com muita atenção e vejo os vossos vultos a sorrir e a abraçar-me. As vossas vozes a dizer “acreditamos em ti”.
E só vou conseguir porque vocês estão presentes, todos os dias.
E sim, estou diferente. Estou crescido e mais calmo.
Mas não peçam demais, serei sempre aquele puto que dá gargalhadas e cai no chão sem medo de sujar a roupa. Aquele puto que sonha acordado todo o dia, convosco.
Vamos conseguir, juntos.
AMO-VOS.
Dário
Thursday, November 06, 2008
Acto décimo-terceiro - Au revoir 6|11
Wednesday, November 05, 2008
Acto décimo-segundo - Au revoir 5|11
É um frio molhado, o meu cabelo pinga e tenho os pés ensopados.
O meu quarto era num sótão, tinha soalho e tecto de madeira. Pela manhã o sol despertava-me. Era acolhedor… e os meus sonhos, os meus sonhos. Sonhava com cores limpas. A minha cama era o suporte de tudo, a entrada para esse mundo que me alimentava à noite e me tornava crente do dia.
Não sei para onde me dirigir, se me hei-de manter calado se grito para que me oiçam. Dói-me o nariz e os dedos das mãos, estão gelados.
Acordei a sorrir, levantei-me e o dia foi muito mais simples, tudo tocava a melodia certa, as cores eram as exactas. Acordei a sorrir.
Estou cansado, não consigo manter o equilíbrio e confesso que o frio e o escuro já não me apavoram. Apenas não consigo mais, estou a perder as forças. Deixo-me cair lentamente até perceber o chão de rocha fria e molhada.
Aquelas noites frias junto à lareira – “Dário sai de cima da lareira, vais ficar doente”. Aquelas noites e aquele calor com um cheiro tão característico, com um cheiro tão confortante.
Já não sinto as pernas, gelaram, não sinto a cintura, não sinto nada, oiço vozes que nem consigo perceber se são fruto da minha imaginação ou se na verdade alguém me fala. Oiço vozes que dizem “Acredito em ti”, “És capaz”, “És especial”. Oiço vozes.
E aqueles dias febris em que me ias buscar uma toalha molhada e colocava-la docemente na minha testa. Aqueles dias febris em que assumia a minha fragilidade e me aconchegavas nos teus braços. O teu sorriso.
As vozes estão cada vez mais longe, oiço pouco, oiço pouco…estão cada vez mais longe.
Aqueles dias passados longe com ecos eternos calados numa chegada, naquele abraço.
Vou adormecer, talvez quando abra os olhos seja a tua mão a despertar-me.
Acto décimo-primeiro - Au revoir 5|11
Falo-vos de saber viver, ou saber sentir.
Falo-vos de mim e da vossa falta em mim.
Falo-vos dos meus sonhos e nos vossos sonhos.
Falo-vos dos nossos amores.
Falo-vos da chuva e do vento gelado.
Falo-vos do céu escuro e das vossas imagens por todo o lado.
Falo-vos de nós.
Falo-vos de bom Fado e melodias que nos tocam.
Falo-vos de arquitectura e da arquitectura em nós.
Falo-vos de relacionamentos fugazes, os nossos.
Falo-vos de manifestações silenciosas.
Falo-vos em silêncio.
Falo-vos da insípida sociedade, das caras frias.
Falo-vos de tudo um pouco e de nada de mais.
Falo-vos pouco.
Falo-vos em Português.
Falo-vos de medo e conquista.
Falo-vos de insatisfação.
Falo-vos de mim e da vossa falta em mim.
Falo-vos de Saudade.