Tuesday, October 28, 2008

Acto décimo - Au revoir 28|10

ÉS TU**

Perguntou me qual é o sentido sem ti?!!


Estou calma e percorro o caminho até a tua casa, janto com a tua família... estranho parece ser… antes o sentido do momento era de te encontrar fisicamente, entre gargalhadas e sorrisos, agora procuro preencher a tua falta no encontro daquele teu espaço…

Depois de um sereno jantar reparo que não estás...em seguida um café para por a conversa em dia existindo outra cadeira vazia, pensando que aquela seria a tua... estranho parece ser... sem ti o sentimento é vazio...

Giríssimmmmooo é a volta que demos, sendo a mesma que fazia contigo, mas agora ... Faço com aqueles a quem tu pertences... e que me alentam o sentimento que procuro... o encontro.

Mesmo ausente encontras te sempre presente...as novidades são algumas...engraçados e divertidos são os momentos que te queria contar...mas quando te vejo por trás do ecrã, naquela imagem de lá, perco as palavras e fico sem saber o que dizer...e só me lembro o sentimento é vazio … porque tu não estás...Gosto de ti*

beijoooo PS: I love U ... Promete que não te esqueces*

Andrea




Ontem fui lá fora fumar um cigarro, estava frio, muito frio.
Saltei para cima do muro, a rua estava deserta, passavam carros apenas. Ninguém se atreve a sair aquela hora com aquele tempo.
Ao fundo tinha como vista um céu muito escuro, com tons arroxeados. E numa perfuração deste céu uma conjugação de pequenas estrelinhas que piscavam alucinantes, todas juntas tinham a forma da torre Eiffel. É aqui que me espanto, é assim que me espanto todos os dias, a minha existência nesta compilação de momentos. Não vivo só em Paris, é muito mais que isso. Vivo em Paris os momentos passados.
E ao lado desta vista maravilhosa e à mesma escala tenho imagens, imagens onde as pessoas que amo aparecem, momentos, sentimentos e acredita que são tão mais belos, tão mais belos.
Não consigo ter palavras para descrever o que vai dentro de mim. Este turbilhão de certezas e incertezas, onde se tocam, o que são umas e outras. É indescritível, para alguns (se o verbalizar) torna-se chato e pesado, talvez até exagerado e no final acabo com um "Isso passa com o tempo", para outros não o posso verbalizar por razões opostas, tudo o que disser será pouco para preencher esse vazio.
Quando te vejo por casa sinto que rezas por nós. És crente no nosso amor e proximidade. Acontece-me também querer contar tudo e cada coisa por mais pequena que seja, veres por mim cada sorriso (que não são muitos) arrancados por estas maravilhas. Mas quando te vejo só sinto e só consigo perceber a enorme falta que me fazes.
O sentido em mim, és tu, são vocês. Declaradamente percebo que não somos ninguém, nem vale a pena lutar muito por uma coisa que é a nossa maior riqueza e que nos esquecemos para vestir e comer e outras coisas.
Prometo, porque não haverá outra forma de...
Prometo porque é incontornável.
Prometo porque amo.

E tu, prometes que guardarás sempre essa cadeira onde não estou?

Encontramo-nos em 2008
PS. I Love You

Monday, October 20, 2008

Acto nono - Au revoir 20|10

- E agora?
- Vai correr tudo bem. – Responde amedrontado tentando transmitir toda a sua firmeza.
- Agora sou adulto e tenho que enfrentar isso. Acabaram-se os medos, no escuro não existe nada para além de quem o observa.

Silêncio

- Tenho 5 anos, aguardo desesperadamente a tua chegada. Não gosto de te sentir ausente e as visitas no hospital não são suficientes para me sentir perto de ti. Tocaram à campainha, corro apressado para te ver chegar, espreito para baixo entre as grades frias de ferro pintado com tinta preta. E és tu, sobes calmamente a escada , seguida pelo pai com duas alcofas nas mãos. Tenho dois irmãos, a Telma e o Daniel. É possível que quando crescerem possam brincar comigo. E tu, vais dividir as tuas atenções? Continuas a gostar de mim da mesma forma?

- Ontem deixei a Telma na universidade, cresceu, sinto-me orgulhoso, sempre acreditei nela. Foi estranho. Sigo para deixar o Daniel, o Dani, aquele puto meio desajeitado com bom feitio, aquele que nunca se importou muito com nada e agora aguarda (penso que nervoso) iniciar uma nova etapa na sua vida. Não o deixo à porta duma universidade qualquer, deixo-o nas Belas artes.

- MÃE! – Gritou alto no escuro.
- Mãe está uma pessoa atrás do cortinado, tenho medo. Podes deixar a luz do corredor acesa?

-É o meu décimo oitavo aniversário, estou crescido e tenho alguns amigos. É importante ser maior de idade, fico adulto e posso decidir tudo na minha vida. Vou reunir 40 pessoas cá em casa. Imprimi os convites e coloquei-os em envelopes para entregar às pessoas da minha lista.

- Preciso ligar o cabo de Internet, uma colega minha do secundário ligou-me a dizer que já saíram os resultados das candidaturas ao ensino superior. Consegui 20 na prova de ingresso, mas não tenho certezas e só vou sossegar quando vir o meu nome nos colocados. Mas o cabo está traçado e não consigo estabelecer a ligação.
São duas da manhã e os meus primos saíram daqui à pouco, vieram propositadamente para me mudar o cabo e saber os resultados, mas o site está sub carregado. Todos devem estar a passar pelo mesmo que eu.
Seguido do meu nome vem o curso e o estabelecimento de ensino em que fui inserido. Entrei, sou dos mais recentes alunos de arquitectura. Sinto-me realmente feliz.

- Chegas a casa despedaçada, nunca te vi com aquela expressão. Sentas-te no sofá castanho e pergunto-te pela avó, olhas-me nos olhos e a tua expressão mostra-me o que é perder alguém e perco a inocência. E tu mãe, nunca me abandonarás pois não?

- Passo o fim-de-semana fora, estás fula comigo, não tenho parado em casa. Entro, manténs os olhos no computador e pergunto-te se queres ir beber um café. Reparaste nos meus olhos, estão brilhantes, estou verdadeiramente apaixonado. Tenho a certeza que é desta que vou ser feliz. Sorris quando te conto como foi o meu fim-de-semana.

- E agora?
-Vai correr tudo bem.

Acto oitavo - Au revoir 20|10

Estou neste momento em Douai, norte de França. Está frio. Vim passar o fim de semana ao norte, a casa da minha tia. Na verdade vim para festejar o meu 25º aniversário.
Paris é uma cidade fantástica, uma cidade a perder de vista. Há coisas bonitas por todo o lado. Mas é uma cidade fria, fria demais.
Sinto o corpo a tremer, estou agasalhado mas nervoso. Este estado tem sido constante. Não consigo perceber nada do que se passa à minha volta, nada do que possa estar a sentir, nem reunir as suas causas.
Tenho medo de fechar os olhos, quando os fecho vejo coisas feias. Fico apavorado quando os abro, jurava que me chamavas lá de baixo para me levantar.
Todos tentaram com que me sentisse feliz. Jantámos num restaurante chique algures em Lille, seguido duma partida de kartings (a primeira) e uma pequena reunião de amigos (que não os meus) no domingo.
Tenho medo, ninguém me olha como tu. Ninguém percebe que não estou mesmo bem, apavorado. Sinto-me abandonado, desamparado, nada do que pensei buscar naquela casa correspondia à realidade.
Ninguém me olhou daquela forma, ninguém o percebeu.
Recebi imensas mensagens de “Feliz Aniversário”, muitas delas fiquei até surpreendido, outras eram mais que previsíveis, embora todas me tenham aquecido o coração e atiçado a nostalgia e a bagunça que vai cá dentro.
Posiciono-me entre cá e lá sem perceber o que é o cá e a querer perceber como se vive sem o lá. Não consigo conceber tal ideia. Não consigo viver assim – “Vamos festejar o teu aniversário no bairro?” – claro que sim, haverá outra maneira que não a de estar perto de ti?
Sou especial, sou especial, és especial…
E isto é o quê? Ser especial implica um estado de convalescença no que toca aos outros e este estado cai única e exclusivamente sobre mim.
Posiciono-me entre cá e lá, entre o ser capaz e o travão que a ausência pode se tornar na minha vida.
Sou corajoso também, qual de vocês abandonaria a vossa família, ou melhor, qual de vocês abandonaria as únicas pessoas que amam no mundo? Isto é ser corajoso, jogar com os sentimentos sem dó nem piedade, fazendo com que nada conte, isto é ser corajoso, especial, não entender nada de nada e sentir que no fundo aquilo que mais procuro na vida, a única coisa em que realmente acredito foi posta de lado. E por quem? – Por mim.
Como posso eu conceber tudo isto e misturá-lo com este género de adjectivos que insistem em mim. Como posso eu me deitar sem vos desejar “boa noite” ou receber os vossos “bons dias”. Como posso eu esquecer-vos sem sequer dirigir a palavra a ninguém.
Sou prisioneiro dos meus próprios sonhos e tudo tem a tendência da caducidade, como posso eu lutar contra tudo isto?
Como posso eu?
E receber as vossas mensagens em silêncio. E ouvir-te cantar sem te dizer o quão me soa bem. Sem te dar aquele abraço.
E sussurrar baixinho “Asas eléctricas” enquanto sentias a minha falta.
O que é feito de mim? O que é feito de nós?
Podemos reinventarmo-nos?
Sou um misto entre o que era e o que não sai como ser. Uma tábua rasa a tender para o que me faz feliz, ou não.
Tenho medo, saudades e há dias em que julgo não ser capaz.

Thursday, October 16, 2008

Acto sétimo - Au revoir 16|10

Derrepente sou uma máquina.
Uma máquina que procura incessantemente trabalho.
Uma máquina programada para determinado fim.
Sou imune a olhares ou a convenções mais doces.
Não sorrio.
Não me sinto maravilhado, nem tão pouco falo.
A programação é clara e obstinada.
Há que manter distinto tudo o que de mim quiseram formatar.
Está guardado num disco externo, para mais tarde recordar.
Sim, sou uma máquina.
Como a arquitectura do Corbusier, a casa como máquina de habitar, onde a casa é resposta às necessidades práticas. (E quem será aqui a máquina, a casa ou quem a vive?)
E até podia refutar, manifestar a revolta que me digno a desenvolver, mas sou uma máquina.
Estou por todo o lado, entre tanta gente, mas sozinho, sem ninguém.
Sou a máquina habitada sem música de fundo ou qualquer brilho no olhar.
Não me recordo do que fui para ser mais simples ser quem sou.
Sou uma máquina.

Acto sexto - Au revoir 16|10

Dói muito,
Como dois punhos fortes que apertam cada vez mais convictos.
Dói estar longe, só dói, não pelo tempo mas pela intensão.
Dói estar entre tantos.
Dói ser tudo assim, sem panhinhos quentes. E se alguns pensam entender, enganam-se. Se outros pensam que por cá estar sou corajoso, estão igualmente equivocados.
Não sou corajoso, luto todos os dias para não pensar muito na minha volta. Embora inevitável. Sou um buraco escuro, vazio e assustador. Sou a consequência da minha intolerância, dos meus sonhos e dos meus amores.
Tudo se resolve com a passadeira vermelha. No sítio certo à hora exacta.
Dói, dói muito.
Dói não me acordares com um beijo quando adormeço no sofá extenuado de nervos.
Dói não vos ver crescer.
Dói não vos ouvir gritar como se a vossa vida fosse o inferno.
Dói não chorar.
Dói manter a classe no metro ou numa qualquer esplanada chique de Paris.
Dói ter que ser adulto e insistir nas estórias da infância.
Dói a cada instante criar alusões a momentos.
Dói muito.

Wednesday, October 15, 2008

Acto quinto - Au revoir 15|10

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.Morre lentamente, quem abandona um projecto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.
Pablo Neruda
(Texto gentilmente enviado por Miguel D'Eça Vaz)

Monday, October 13, 2008

Acto quarto - Au revoir 14|10

Lembram-se de quando éramos pequenos, de andarmos na rua e emitirmos uns sons estranhos para fingir ser francês?
Pouco mudou. Na verdade poucas coisas se alteram.

Acto terceiro - Au revoir 14|10

Tenho a torre eiffel como vista da janela do meu quarto.

Acto segundo - Au revoir 14|10

Dizer o quê?
A responsabilidade é muita, mais do que pude imaginar, mas não a suficiente para julgar atitudes e opções.
Dizer tudo e não dizer nada.
Dizer que sinto saudades.
Dizer que adoro cá estar.
Dizer que cada canto tem uma particularidade apaixonante.
Dizer que me torno mudo e engulo cada sentimento.
Dizer tudo e não dizer nada.
Dizer em cada silêncio que não percebo.
Dizer verdades em tom minúsculo.
Dizer que tudo é perfeito.
Dizer que mudei da realidade para o sonho como quem vira uma t-shirt do avesso.
Dizer que me calo em cada vez que gritava.
Dizer tudo e não dizer nada.

E conto tudo como quando era pequeno. Pouco mudou.

Tuesday, October 07, 2008

Acto primeiro - Au revoir 7|10

O meu presente tão bem conseguido pela minha família.

Autoria: Daniel Amaro