Wednesday, August 29, 2007

Message pour mes amis 29.9

bonjour, je suis en France...
lol
Chega destas coisas de falar frances.
Aos interessados comunico que estou sem sms, brevemente terei acesso à internet no meu computador, com um teclado organizado da melhor forma, sem que precise de procurar as teclas!
Esta tudo a correr bem, o tempo parece de Outono e como é obvio estou a adorar o romantismo isolado da coisa.
Beijos e abraços.

Esta mensagem demorou 20 min a ser escrita... grrrrrrrr teclados franceses - a falta de acentuaçao tem exactamente a ver com isso!

aurevoir

Monday, August 27, 2007

Le Marriage 28|8

De: Lisboa Para: Bruxelas

Partida:28 Agosto, 07h35 Chegada: 28 Agosto, 11h20

Voo: TP604

São exactamente 3h00 da manhã, da madrugada de dia 28 de Agosto. Não consigo sequer pensar que possa dormir. Esta ultima semana tenho vivido na ansiedade duma possível reviravolta dos “ladrilhos”. Não vou exactamente para Bélgica, vou descer e ficar no norte de França.
Tudo o que tenho reunido nestes últimos anos pode ser agora posto em causa da forma mais apetecível.
Estou estranhamente com algum receio de andar de avião, com algum receio que a reunião em Paris não seja de acordo com as minha expectativas, com receio que haja qualquer coisa que me faça escrever o contrário do que preciso para viver!Le Marriage surge neste contexto, há opção de escolha e eu já optei, vou em frente. Mesmo que seja o caminho mais longe, lutarei para que haja algum senso na minha vida.

Tuesday, August 21, 2007

Thursday, August 16, 2007

Sónia 17|8


Tudo se rege beseado num padrão. E para mim és o "padrão" a ser seguido, um mosaico na parede da minha vida. És um exemplo de atitude. :)

Wednesday, August 15, 2007

Horas inevitáveis 16|8

Era um ambiente propício a um diálogo sentimental. O cenário, a praceta com o pelourinho central, ao fundo as cadeiras e as mesas alinhadas em sombras descentradas. Tudo era propício a uma presença sentimental efectiva e fisicamente ausente.
Lembro uma noite em que estávamos exactamente na mesma praça, era noite e as cadeiras estavam todas ocupadas. Havia luzes por toda a parte, balões coloridos extenuados pela força da gravidade e o palco ao fundo. No ar sentia-se o cheiro tão característico de festas populares – a farturas, pipocas e algodão doce. Jantávamos e o tema da conversa era a tua terra, que defendias ser outra que não a do teu nascimento. Tenho a sensação de teres falado de possíveis familiares ali. As cadeiras eram de ferro e as mesas também, havia muita gente. A noite agradável, de Verão.
Neste mesmo sítio, passados alguns anos, encontro-me com outras duas pessoas que sentem a tua falta. Falam de ti e os olhos espelham a saudade. As lágrimas o sentimento.
Difícil contornar a situação e deixo-me envolver na emoção. Éramos três, os que mais sentem a falta do toque, do cheiro, de ti.
Saudades de não trazer o passado guardado na algibeira.
Estou exactamente no mesmo sítio, o dia invadiu-o de forma brusca, eu cresci e tu não estás mais.
Saudades.

Satisfação da ausência 16|8

Não sofro de depressão pós fim de pseudo-relação.
Não sofro por nada em concreto.
Não sofro sequer.
Ausência não tem um nome, é por si só um estado de não presente. A vontade de não estar, a sensação de que a presença não será apropriada, agradável.
Ausência não tem um propósito, esta ausência é um estado de alma. Não é cedente de cobranças, é apenas um não estar.
Ausência não é sinónimo de desinteresse, esta ausência é precisa.
Não abono a conversas corriqueiras, quero a ausência dos sons.
Não cobro o interesse de outrém pela minha ausência, prefiro sentir o silêncio.
Não abandono ninguém, se me ausento.
Quero estar comigo próprio, sinto ciúmes da minha relação com o mundo.
Estou carente dos meus próprios mimos.
Quero um espaço branco, sem som, vazio.
Quero ser mudo, surdo, cego e insalubre nesta ausência.
Quero relativar os factos e sentir a essência de mim, no que estou, para o que vim, para onde vou!
Quero me encontrar num canto onde não existe espaço para mais ninguém.
Ser egoísta na constatação da necessidade intrínseca do meu próprio “eu”. Quero estar ausente porque sim.

PORQUE SIM.

Tuesday, August 14, 2007

Memórias sentidas 15|8

Sinto os movimentos presos, os braços pesados e as mãos sem sensibilidade.
Sinto um peso no estômago, os passos curtos, as pernas lentas.
Sinto as pálperas forçadas, a expressão carregada, a face pálida.
Sinto insegurança, incapacidade, medo.
Mas sinto!

Monday, August 13, 2007

Saturday, August 11, 2007

Ser ou não ser? heis a questão 12|8

A abstracção aterradora duma significancia inútil. A constatação paradoxal do mísero tamanho do ser num universo constituído por ele próprio. A "escala real" exacerbadamente falsa.

Sente 12|8


Não creio que alguma vez dois seres tenham sido tão felizes quanto nós.
Já são estas horas!
Toda a vida reduzida a um dia, toda a vida.
Ainda é de manhã?(...) Eu morri?
Eternamente dando festas para disfarçar o silêncio.
Queremos tudo.
Há quantos anos foi isso?
Conheces a rotina.
Temos uma hora para morrer.
O que acontece quando morremos? – Voltamos de onde viemos.
Não me lembro de onde vim.
É possível morrer? É mesmo possível morrer?
Senti-me livre pela primeira vez em anos.
Oiço vozes.
Achas que um dia consigo escapar?
A tua vida é tão trivial, tu és tão trivial.
Falso conforto.
Sensação de promessa – É aqui que começa! – Nunca me ocorreu que não era este o inicio.
Não há tal obrigação, não existe tal obrigação.
Só eu posso compreender o meu estado.
A escolha é minha.
Quem me dera por ti ser feliz nesta quietude.
Não se encontra a paz fugindo à vida.
Não demorei assim tanto. Houve um instante que pensei durar mais, mas mudei de ideias.
Mas continuo a ter que enfrentar as horas.
As vozes estão sempre aqui.
Mantive-me vivo por ti, mas agora tens que me libertar.
Conta-me a história do teu dia.
Alguém tem que morrer para que valorizemos mais a vida.
Há alturas que nos sentimos tão diferentes!
Seria maravilhoso poder dizer que me tinha arrependido, mas o que mudaria?
Escolhi a vida.
Será a morte uma opção?
Morremos mesmo?

A eternidade do momento cai em mim com a particularidade sublime dum todo imperceptível.
O tempo não para e a vida insiste numa abstracção desleal.
Serei eu capaz de enlouquecer? Sintam-me louco. É o sinal da minha sobriedade.
Talhamos cada molde e os anos passam sem que sejam sentidos os meses, os dias, as horas, a particularidade do momento. Talhamos cada traço expressivo da nossa pele.
E quem somos? Somos quem pensamos ser, ou o que vêem em nós?
Existimos pelos outros ou por nós próprios?
A exacerbação da vida intriga-vos numa realidade antagónica.
Estão todos enganados.
Quem morre é o visionário...

Olhar a vida de frente, olhá-la de frente... saber o que ela é e amá-la.
Entre nós sempre os anos. Entre nós sempre o amor. Sempre as horas.

The hours – a crítica ao filme do visionário.
Dedico este texto a alguém muito especial. Vive, por ti. Sente, por ti.
Estranho não te conhecer e sentir-te tão perto!
Dedico - te este texto, Eric.

Tuesday, August 07, 2007

Morcão vs Mouro 8|8

“E então Gonçalo Nuno de quem é este castelo?”

É indispensável a ausência de texto nestas fases introspectivas em que tudo se foca num único ponto, o que nutro por ti.
São momentos meus, que tento a todo o custo perceber para que fiquem totalmente resolvidos.
Todas as palavras que escrevo, em confronto, são alvo desses pensamentos. Preferi então marcar essa ausência, numa presença platónica que ganhaste na minha vida.
Estes últimos dias suscitam em mim numa mudança efectiva, percebi que a realidade de um nunca será a realidade de dois. O que por outro lado reforça a noção sensível da necessidade de amar e a minha capacidade para tal.
A família esteve ausente, eu presente num espaço que estranhamente se tornou solitário e silencioso.
Juntei amigos durante vários dias seguidos, passamos momentos anestesiados por estados líquidos e partilhamos intimidades. Estranhamente tudo se desenrolou da melhor forma.
Neste último fim de semana fui para o Gerês e com a minha chegada mais uma advertência da realidade. A constatação do que é a vivência do verde convicto que engole caminhos talhados por cascos. Só conhecem o que aos seus olhos é muito, o que me remete a uma infância ambiciosa. Lembro sonhos inocentes, sinto que já os realizei, e consequentemente são nulos na ocupação de outros que os fazem cair no esquecimento.
Quem será mais feliz? Eu rodeado de informação que me invade a todo o momento e me deixa confuso, ou estas pessoas que julgam saber tudo numa vida simples e feliz?
A verdade é que não há volta nesta constatação. Perdi a inocência.
Durante a viagem atingi durante breves milésimos de segundos a verdade de mim, mas da mesma forma que surge se desvanece, num ápice. É preciso pelo que nos é oculto (ou não) esta ausência de totalidade.
Vou voltar com a convicção habitual de quem sou e o que quero para mim. Sinto orgulho no que conquistei até hoje, sinto que o que me moveu até aqui é o mais importante e é isso que me faz continuar a sonhar. Acredito em mim.