Sunday, December 24, 2006

Ups, é Natal 24|12

Pois é, infelizmente o Pai Natal não deve ter gostado da carta que recebeu da minha parte. Quando penso que estou a ser criativo, olham-me como presunçoso.
Já não existem as mesmas cores, os cheiros são idênticos, a luminosidade também, mas tudo o resto mudou e o Sr. das barbas brancas tornou-se egoísta e mal humorado, azedou o meu Natal.
É tão feio nos fazerem acreditar que existe conceitos abstractos garantidos e mais tarde tudo se perder com a maior falta de classe e palavras rudes.
Não vou ter um Natal feliz, apetece-me deitar e acordar daqui a muito tempo, quando o sol florir com a maior franqueza de sempre, a que sempre acreditei. Chega de farsas, chega de tentativas, não se tenta quando não se quer. Não se arrisca se não se acredita.
A vodafone está sem sms grátis e não vou carregar o telemóvel, o telefone cá de casa está avariado e só recebe chamadas, como tal, não vou ligar a ninguém, não vou mandar mensagens a ninguém.
Também não quero optar pela triagem e deixo aqui a minha mensagem de Feliz Natal aos que sabem que de qualquer forma pertencem à parede ladrilhada que me caracteriza. A esses desejo que o Pai Natal seja bem mais moderado e com um pingo de bom senso!

Feliz Natal

Wednesday, December 20, 2006

Gift Alexandre 21|12

Só para abrires dia 25! Não sejas abelhudo... :)

Presente de Natal 20|12

O primeiro encontro não foi dos melhores.
Só nos entendemos no meio dos bichos.
Noitadas, só contigo...

D: Quero dormir.
J: Trabalha Dário!
(...)

J: Vamos dormir?
D: Trabalha Joana!

(...)
Fomos dormir.

Sinto a tua falta, volta rápido!
Aqui fica o teu presente de Natal, amo-te.


Tuesday, December 19, 2006

Eis a crença 19|12

Turbilhão de ladrilhos 19|12


Aprendi uma coisa ha pouco tempo. Não posso deixar que estes sentimentos morram dentro de mim, são eles que me fazem viver, mover, respirar, são eles que fazem de mim a pessoa que sou. Sendo assim opto por isto, não vou viver acomodado com o certo. E se foi isto que me fez chegar até aqui, creio que não me ficarei pelo "não feito".

Monday, December 18, 2006

Pontuação 19|12


Inesperadamente vou ao cinema, sento-me para ver mais um daqueles filmes que alimentam a necessidade de sentir muito mais do que é propício aos mortais.
Tudo começa numa troca de casas, duas raparigas com vidas distintas, ambas com problemas sentimentais, nesta época natalícia, uma atitude estranha com o seu quê de interessante.
Uma delas com uma vida bem sucedida, boa casa, empresária no ramo cinematográfico tem problemas nas relações, não se dá inteiramente, não chora desde os 15 anos (altura em que os pais se divorciaram), acaba de terminar uma relação em que o sexo é escasso porque julga pelos comentários do parceiro que não é grande coisa no que toca a isto!
A outra bem mais pacata, vive numa terriola a 40 minutos de Londres (não recordo o nome), jornalista e chora com facilidade. Mantém um sentimento forte que dura há três anos por um dos colegas. Isto chega ao extremo de ser ela a cobrir o evento matrimonial do idolatrado, dando-lhe espaço numa das páginas da revista.
A estória desenrola-se com a menina rica na pacata vila isolada de tudo e todos, e a menina que chora na bela da mansão.
E o amor não tira férias, não consigo chorar, também tento, mas em vão. Por outro lado somos água e azeite e chegou a altura de to dizer e fechar-te a porta na cara (N). Acho-te incrivelmente genuíno e normal (Z), por isso acredito e sinto. E sei que não sou grande coisa no que toca aquilo.
Como diria o Sr. da experiência, sou o actor principal a fazer papel de figurante.
E sim acredito que isto possa resultar, sinto-me calmo, aconchegado, sinto que é algo maduro não me apetece gritar aos quatro mundos, apetece-me guardá-lo e ir saboreando com atenção e dedicação. É bom sentir. É bom sentir que também o sentes, és incrivelmente genuíno e carregas contigo toda a subtileza e sensibilidade que preciso.

Ups, quanto ao filme, não aconselho, não é nada de especial (:p), ou melhor prefiro que não o vejam depois de lerem este post, sentir-me-hei nu e perceberão que nem escrevo tão bem quanto parece, sou aquele eterno fã da estória de amor perfeita com final feliz mas carrego comigo algumas letras ainda não totalmente resolvidas. Algumas começam a ganhar ênfase no que é a minha paleta vitae, outras decididamente fecho-lhes a porta.
Saí do cinema com aquele sorriso, porque percebi que sou a personagem principal e que além do mais tenho tudo para ter a estória perfeita (Z)*.

Sunday, December 17, 2006

7.23, vou dormir 18|12

Tragam-me a corda 18|12



Ser assertivo 17|12


Vomitar, quando se está mal disposto, quando não se suportam os cheiros, quando estamos fartos.
O estar farto por sua vez é o monopólio da exaustão, quero vomitar os putos, as estruturas e os acrílicos de cor. Quero vomitar até estar livre de tão severa condicionante.
Não racionar o tempo, esbanjá-lo como ser eterno. E respirar, e observar, e sentir, e chorar, e manifestar, e correr até que sinta os pulmões sem oxigénio, e rir, rir muito!
Hoje mal vi a luz do dia, junta-se mais uma quadrícula negra na frenética paleta da vida, a minha.Quero gritar, mas estou calado. Tenho fome e não como, não quero companhia. Posso mandar tudo ao ar, assumir essa irreverência e soltar tudo o que tenho cá dentro. Se morro asfixiado serei eu o único culpado.

Saturday, December 16, 2006

Ser assertivo 17|12


Os olhos ficam viciados se observarem durante muito tempo a mesma imagem.

Quem sou eu? Como sou eu? Sou o Dário estudante de arquitectura, o Dário que sai à noite com os amigos e bebe vinho branco fresco, o Dário que é pintor, o Dário que é filho, ou serei apenas o Dário?
Ser assertivo implica conseguir admitir o fracasso, ter maturidade suficiente para perceber qual a falha e tudo o que a implica. Mas qual dos “Dários” sou? Serei todos ou nenhum?
É bom sentir que a primeira impressão é sentida dessa forma, sem condicionantes, apenas o que sou. Nenhum dos que mencionei, apenas eu!
Tentei criar balanço, veremos no que dá, se atravesso totalmente a possa, se fico encharcado. Independentemente das duas opto pela autenticidade, pela essência.
Não fiz tudo, mas fiz qualquer coisa. São 5.30 da manhã, vou dormir, não por estar cansado, mas já não tenho cigarros.
Amanhã acabo.

Friday, December 15, 2006

Sigur Ros 16|12

Desta vez as palavras são desnecessárias, sintam através do clip dos Sigur Rós.

Thursday, December 14, 2006

Fábrica de chocolates 15|12









Obriguem-me a comer, não como.
Obriguem-me a sorrir, não sorrio.
Obriguem-me a pensar, não penso.
Obriguem-me, obriguem-me, obriguem-me... ninguém me obriga a nada, obrigada!
Obriguem-me a criar, e aqui solto aquela gargalhada. Posso trabalhar muito, posso não trabalhar nada, posso ter certezas dum conceito e trabalho-o. Se me julgam pelo motim, lamento mas não brinco às casinhas.
Tenho entrega de projecto amanhã, ou melhor hoje. São duas da manhã e até às nove teria que ter tudo modificado a gosto do professor, como se escolhesse os cortinados floreados para pendurar na sala, impresso e com disposição para ouvir críticas sem nenhum senso.
Tento forçosamente pensar que sou adulto, que estou a terminar um curso pesado (que cargo este) e que segunda feira entrego o projecto completo, sem dramas e com a consciência de que estas pipocas são de qualidade ao contrário das que se metem no micro-ondas e ficam prontas em três minutos!
Paguem-me para projectar, não me paguem para amar. Que merda de paradoxo infernal!
Quero uma morte rápida, sem grande sofrimento, doem-me as costas e a vista, estou a fungar. Imagino uma corda grossa agarrada a um camarão no teto, o nó está bem dado, subo para cima dum banco, envolvo a corda no meu pescoço e salto... pufff, tudo imaginação, nada na vida paga o preço da própria.
Querem branco, apresento-vos o preto.
Mas estou cansado, não sei se aguento isto por muito mais tempo. Nem sei se aguento outra pausa, é insuportável.

Monday, December 11, 2006

durmo no meio 12|12


Há uma luta elementar no embarque das coisas simples. E há uma fervura quente aqui dentro e que vai nessas coisas. É um coração grande que rebenta, detona, leveda. E há flores que desmaiam, e eu adormeço e fermento. E nesta fuga de mim, há o teu corpo delicado que me amacia. E há um jeito, um arranjo doce na forma de me teres, no qual sinto todo o prazer quando regresso a ti.

Saturday, December 09, 2006

O Parque 9|12



Estou sentado naquele parque, o parque dos baloiços. Eram azuis e estavam na zona alta, com vista privilegiada sobre a urbanização verde e branca.
Tudo parece menor. Estranho com o passar dos anos haver uma condicionada noção de escala igualmente diferente. No fundo tudo mantém o tamanho original, tudo excepto eu.
As árvores estão maiores, o ladrilho gasto, as paredes sujas e grafitadas e os baloiços não pertencem mais a este cenário infantil.
Por instantes recordo as tardes de sol acabado de chegar do colégio, protegido pelo abraço sentido e quente de quem permanecerá igualmente ligado a este cenário e que tão bem caracteriza estes laços fortes.
Era a última, a casa da urbanização verde e branca, tudo mantém os traços comuns ao tal passado que trago guardado na algibeira. O portão é menor, mas por incrível que pareça é o mesmo. Nos canteiros já não existem as roseiras que trepavam a estrutura de ferro vizinha. A porta de entrada, também já não é a mesma, já não tem vidro cor de azeitona por onde espreitava a aguardar o vulto de quem sorria por mim.
Não entrei, tudo está diferente, eu cresci.
A entrada tinha um aparador de pinho-mel que suportava retratos de família, a luz das tardes com os tons ocre dava-lhe um ambiente confortável em conformidade com o verde escuro das plantas.
Em frente havia o quarto da avó, soalho de madeira estranhamente forrado com alcatifa bege, a mobília a mesma que se mantém no quarto da casa nova, agora sem uso. À direita a cozinha, dispensa e instalação sanitária, à esquerda a sala e o quarto do avô (nunca notei que os avós deveriam dormir juntos). A cozinha inconfundível, caracterizada pelos armários brancos de portas amarelas num pandã frenético com o padrão de azulejo de malmequeres, a chaminé com o pequeno fogão e o pires do lado esquerdo para os fósforos queimados. Dava acesso à marquise que por sua vez tinha a porta do terraço coberto com a versatilidade da fusão do ambiente em espaços de pura fantasia com personagens e características distintas.
A dispensa pequena mas com igual potencial, escondia uma escada de madeira que a custo dava acesso às águas furtadas. Com aspecto de mesanina, protegida pela guarda de ferro pintado de branco, tudo tinha sido projectado para mim. Tinha duas divisões e variadas recordações de outros passados.
E o almoço está pronto, sento-me na sala, não faço refeições acompanhado na cozinha e no final dirijo-me ao armário onde atenciosamente me esperam as iguarias do costume.
De repente tomo consciência que nada mais existe, estou a gelar sentado no parque, nada é eterno, ninguém o sente como eu e a verdade só a mim cabe. Perder - se - há comigo.
Tudo é efémero, lutamos e amamos mas nunca somos totalmente gratificados pelo bem que fazemos.
E numa próxima geração todos estes cheiros característicos destes aconchegantes abraços, perder - se -hão.
Resta-me guardá-lo com o maior cuidado e no local mais seguro de mim, o mais íntimo, o coração.

Tuesday, December 05, 2006

Carta ao Pai Natal 6|12

Olá Pai Natal, espero que estejas preparado para responder às inúmeras cartas que te começam a encher a caixa de correio. Este ano vou ser diferente e vou postar a minha. É bom que a leias com atenção, já passou um ano desde a última e não te admito que descuides qualquer pedido da minha parte. Afinal sou um menino crescido, educado, bonito, lavadinho e com uma força surpreendente no que toca aos meus ideais...
Este ano tenho inúmeros presentes que exijo receber.
Agradeço desde já o facto de estar perto da minha família mais querida e poder passar um Natal digno!
E aqui vão as exigências deste ano:

Começo por te pedir que logo em Janeiro obrigues o Arquitecto Pedro Mendes a fazer um ditado coerente das notas de projecto.
Quero também que me arranjes um tempinho no meu horário que não seja laboral, ou melhor um tempo livre que não sacrifique de forma nenhuma o trabalho.
Visitar a Joana em Fevereiro em Barcelona.
Receber presentes bonitos e caros, que me sirvam de alguma coisa e descartar as peúgas da feira que as tias oferecem!
Apaixonar-me com peso e medida pela pessoa merecedora de tão grande feito. E consequentemente ser retribuído com ainda mais fervor.
Olhar, sentir, ouvir e cheirar o grande Homem, de grande sabedoria e com um dos sentimentos mais bonitos que alguém tem por mim até que me esqueça de o pedir – avô Pousada.
Reviver cada momento que passei neste ano e saber que é teu o presente, os ainda melhores momentos que se seguem!
Sentir perto todas as pessoas que nutrem carinho por mim.
Receber todas as noites o beijo do amor eterno, o da mamã!
Ter umas férias merecidas.
Mais umas quantas exposições.
Muito dinheiro.
E ainda mais felicidade, a deste ano foi boa, mas mereço mais.
Ups, já me esquecia... quero também uns ténis novos, uns quantos livros de arquitectura, roupa para estrear na passagem de ano, uma plotter, o atelier novo, a lampreia de fios de ovos na mesa de Natal e a lareira acesa!

De certeza que me esqueço de alguma coisa, mas tens de certo noção que estou a ser sensato e como tal se me quiseres surpreender, conto com isso!
Ah pois, porque não te esqueças que tenho andado a fazer decores de Natal para induzir as criancinhas à tua prática.

E nada de tentar entrar por outro lado qualquer se não pela chaminé, vou estar atento e deixo os doces oleosos à tua mercê entre as cores deste Natal, que a custo consegui que não fosse de variedade interminável.
Um beijinho do Dário :)

Gente 6|12

Dói-me as pernas e os rins, andei à pancada... Sim à pancada, para os mais cépticos acreditem que mesmo pensando que tudo se resolve com uma conversa mais ou menos elaborada, as coisas nem sempre funcionam assim!
Comecei o dia normalmente, depois de uma visita à faculdade, uma outra visita a um decór de Natal na parede. Estranhamente estreei uma mochila normalíssima para desfarçar o portátil. Deixaram-me na estação de comboios de Roma – Areeiro, qual o meu espanto quando me sinto rodeado de três personagens idênticas, bonés de lado em cabeças rapadas, swets provavelmente da Nick ou Addidas, as belas das meias por cima das calças talvez com intenção de realçar os belos ténis (moda caricata do belo “mitra”) e todos com dentes podres encavalitados.
Abordaram-me na máquina de chocolates enquanto recebia o troco – “ Sócio, és o RP do Garage?! Conheço-te de lá!”
Bah... o resto é escusado contar, e eu estranhamente gozava com a situação com gargalhadas vindas sei eu lá de onde, com noção de estar a ser assaltado e transportar o meu semestre dentro da mochila e mais umas quantas coisas importantes.
Quando perceberam que gozava com aquelas caras terríveis partiram para os empurrões, pontapés, aos que retorqui orgulhosamente até chegarem dois seguranças e desaparecerem no nada!
A verdade é que nem me dói nada, pela agressão em si, fiquei quebrado com os nervos... Senti-me um homem corajoso, a verdade é que tinha que defender duma outra forma todos os projectos que carregava comigo e não da forma verbal que me obrigam em cada apresentação em que se preparam para me esmagar!
Estou em casa, finalmente... que espaço tão agradável e que pessoas tão bem educadas as que me rodeiam.Gentinha, merdosos, arranjem essas cramalheiras e tenham noção da moda, será que nunca roubaram um espelho para pendurar nas “paredes” das vossas barracas?

Friday, December 01, 2006

Vogue 2|12


Não, nada do que pensas pode ser verdade. Talvez por não ser tão definido como julgo. Aquela base não se sente com tal consciência, vai-se saboreando entre paladares nunca antes conjugados.
Fiz merda, com toda a certeza. Não optei pelo caminho mais correcto nem pelo mais justo, de certo o mais curto.
Nem todas as pessoas com esse sentido cobram em mim esse meu grande desejo.
Toda a narrativa foi coerente e sensata, mas tudo cai e perde o sentido.
Sinto algum desconforto, mas prefiro autenticidade!Não sei se encontrarei algures o que procuro, não sei se sou injusto, só sei que a exigência torna se demasiadamente selectiva num paradoxo tremendo da tal fé.