Thursday, September 27, 2007

Franja 28|9


Sim, é verdade...

Tudo começa num passeio diurno nas ruas calcetadas do bairro alto.
"Ah e tal... já mudavas o corte! Vamos mudar esse capacete."

A verdade é que cada vez que corto o cabelo no facto insistem na franja, aquela bela franja. E cá está ela... Tenho a agradecer ao sílvio este corte 80's que não esconde em nada a minha bela faceta de "gente estranha".

Não prometo é conservar esta franja para baixo durante muito tempo, porém vou tentar. Se bem que precisei sair do carro e esta primeira aparição deu-se numa bomba de gasolina. Não passei despercebido. Suponho que a certa altura alguém até pensou em ligar para o Júlio de Matos (mais um louco à solta). lolol

A mãe: Que corte é esse, vais assumir d'uma vez por todas que bates mal da cabeça?

ok... veremos o dia de amanhã, espero acordar bem para que consiga sair com o "NEW LOOK" à rua!





Tuesday, September 25, 2007

Respondo - te? 25|9

Não sei ao certo como começar, estas são das palavras com maior responsabilidade que tenciono escrever. Este texto não será apenas um texto, não será uma junção de palavras com um significado próprio. Este texto é a resposta aos teus sentimentos, à tua crença, à delicadeza das tuas palavras, ao brilho dos teus olhos, à tua força “amedrontada”, à carga emocional do teu diálogo, à consequência de te cruzares comigo.

È a primeira vez que alguém me surpreende de tal forma, consequentemente sinto-me lisonjeado com tal descrição. Eu sou, ou eu sinto que sou, ou até mesmo, penso ser estas dúvidas todas que me completam. Sou estes textos, estes sons e estas imagens. No fundo posso ser mais um entre tantos, prefiro pensar que não! Prefiro pensar que todos nós nascemos, andamos baralhados e morremos.

Há “coisas” que vou sentindo em cada conversa que tenho contigo. Há “coisas” a que prefiro não lhes chamar nada, sendo que já lhes chamo “coisas”.
Este paradoxo terrível que me confunde num turbilhão de sentimentos. Sou e não sou, quero ser, quero que acreditem que sou... o querer ser repugna-me sendo o reverso do preço que pagamos por viver.
Nós não somos muito diferentes, arrisco até dizer que somos muito parecidos. A tua ira que transformas num diálogo cómico e simpático é sentida em mim com a carga merecedora.
Um dia disse a uma pessoa muito importante no desenvolvimento da minha pessoa: “Sinto que não vou viver muito”. Não sei ao certo se isto é verdade, mas sinto que isso está patente em ti. Por outro lado travamos a mesma luta. O que é doença não nos limita mais que o que nós próprios somos.
Nasci fraco, nasci muito fraco. Estou vivo, estás viva.
Tenho comigo algo que é preciso mostrar, um grito interior que precisa ser ouvido. Pode parecer estranho fazer comparações do género, mas é impossível viver desta forma. Enquanto tiver forças lutarei para que o oiçam. Impossível conformar-me e viver em silêncio.

Aquando nos teus diálogos fazes soltar gargalhadas, eu sorriu com vontade de chorar. O que custa pertencer a estas pessoas.

Por diversas vezes, poucas, pessoas com uma sensibilidade mais apurada falaram-me em “especial”. O especial é sermos no sentir. É querer mais que a noção dos 4 elementos, é conhecer-mos um quinto.

Se te apaixonares por mim, dir-te-hei que o que me condiciona à descoberta da essência não me impede que me sinta a pessoa iluminada de que falaste. No fundo ofereço-te “Bathávia”, escolho definitivamente a alma.

Dia 18 de Outubro de 2006 visitei uma exposição na Mãe D’Água, dava pelo nome AMOR-TE, era um dia especial para mim, o meu dia. Todos o deveriam saber. Neste dia a angústia aumenta, o silêncio marca a presença da força que me move. Era um presente para mim. Todas aquelas fotografias num combate ténue, o querer resistir e o ter noção de tudo da forma mais transparente. As expressões consequentes de todo aquele estado com a melodia das águas.

Posso não conseguir ser directo neste discurso, posso não ser objectivo. Mas há uma razão enorme que me move a escrevê-lo, o que sinto em ti, o facto de teres que entrar nos ladrilhos que me constróem, que me completam, que me definem!

Adoro-te, porque sim.
Dário

Sónia escreve... 26|9

24. Setembro. 2007
(a ouvir Lamb..)

Ani ohevet otcha ....

Quando te conheci… foi estranho… não estranho de mau, mas de diferente… depois fizeste um sorriso lindo...mas ao mesmo tempo enigmaticamente assustado….mas que me rendi por completo.
Às vezes, dou por mim, a olhar para fotografias onde não estás, para pessoas que nada têm a ver contigo, mas ... muitas dessas vezes, estou estranhamente a pensar em ti...até a ver-te...e a pensar na tua pessoa, especialmente na tua diferença. Naquela diferença, que faz de ti uma pessoa facilmente adorada e amada.

Numa primeira aparição, tive qualquer coisa semelhante ao medo, mas um medo bom, um medo no fundo estranho. Tu não eras definitivamente mais uma pessoa. Só isso não. E isso assustou-me, porque eu estava a sentir uma força tão boa, mas tão positiva, e pensava: Mas quem é este gajo?? ... e rapidamente percebi, que eras um daqueles seres, que todos gostávamos de ser, ou te conhecer alguém assim, e poder chamar de amigo, e partilhar um sorriso, uma mágoa, ou simplesmente para dizermos que uma vez na vida conhecemos uma pessoa assim. E não me enganei.

Pode parecer que sou prepotente, ao pensar, ou julgar que te conheço muito bem, com se te conhecesse há anos, mas, e desculpa se estou de alguma forma a ser arrogante, mas penso mesmo que te conheço...não sei se ao longo da minha vida, e com as muitas desilusões que fui tendo, ganhei um tipo de calo, que me permite e até facilita, sentir o toque de uma pessoa sincera, e há coisas que as pessoas não conseguem mudar... todas as pessoas já mudaram a sua cor favorita, algumas até o seu estilo, outras a personalidade, os vícios hoje podem ser todos, e amanhã nenhuns, mas há coisas, que a vida não admite alterar...e são estes raios de luz, que tu tens, que me faz acreditar, que tu não és mais uma pessoa, mas sim, que és a pessoa.

O difícil não é ter amigos, nem mesmo fazê-los, há quem diga que mantê-los é difícil, eu não concordo...nem pela distância, nem pela ausência de um telefonema ou carta, para mim é difícil, em momentos da vida menos bons, acordar e ver que afinal não tens amigos, aqueles muitos e bons que pensava que tinha. É no mínimo triste, e irreal, acordar numa cama de um hospital, e de dia para dia, veres que cada vez tens menos visitas, menos cartas, menos telefonemas, menos carinho, menos amor, e são tão poucos os que sobrevivem a isso, e é tão grave e tão brutalmente triste, sentires isso, acredita que chega a doer mais do que qualquer dor, que sintas, sentires que as pessoas estão te a abandonar, e que cada vez mais, estás sozinho na viagem mais longa da tua vida, e nessas alturas sentes tudo a dobrar e começas a ter medo, de não teres força para lutar sozinha, porque no fundo vês as pessoas que mais amavas, ...aquela amiga especial com quem partilhava tudo..... aquele amor que era para toda a vida..... aquele amigo de tantos anos, a deixarem-te para trás e a fazerem com tu acredites que não vais chegar á meta, e és obrigado a pensar que se eles deixaram de lutar, é porque deixaram de acreditar...e eu....ali naquela cama...o que fazia?...E foi por interrogações, episódios e atitudes, que não condeno minimamente.... que agora acho que cada vez mais, tenho a percepção em relação a pessoas...

Tu invadiste a minha vida, e por isso eu tenho o direito de dizer o que senti e o que sinto em relação a ti.
Entraste nos meus sonhos.
De vez em quando falo contigo, mesmo quando não estás, mesmo quando nem sabes...oiço-te nas músicas que tocam no meu quarto. Às vezes, quando fujo para aquelas noites, que nunca divido com ninguém, aquelas noites, onde tudo é só meu, a lua, o mar, a praia, vais e namoras a lua comigo, às vezes vejo-te à janela, mas não é aquele ver de alucinar, é aquele ver, de estar mesmo a ver, mesmo estando tu a quilómetros, por vezes, em noite de tristeza e choro, sinto que andas por aqui, a flutuar com se fosses uma pena, e mesmo não sabendo que estou a chorar, vens abraçar-me e aconchegar-me o cobertor, no momento exacto que antecede a paz do sono perfeito. E depois... sais sem fazer barulho, e vais outra vez para o teu mundo, como se se tratasse de um ser do meu imaginário, como todos os outros que sempre rodearam e encantaram a minha vida, e eu....eu fico-te a ver voar, e sei que no dia seguinte, vou acordar como se o mundo começasse outra vez, e sem qualquer vestígio de lágrimas de tristeza. Eu acho que mesmo que tu mudasses de cidade, país, continente, até mesmo de planeta, eu nunca me ia esquecer, da tua luz, da cor, da intensidade, do prazer que dá vê-la, acho que nunca me iria esquecer, do som do teu olhar, da magia do teu sorriso...do sabor do teu toque..

Uma vez...em casa, à noite, num daqueles dias, numas daquelas noites, que mais parecem não ter fim....estava com muitas dores....comecei a pensar em muitas coisas, para tentar-me aliviar daquele sofrimento que tanto me preenche...e pensei o quão bom que é ter-te na minha vida, mesmo quando em silencioso e secreto...podias viver dentro de uma cartola de um mágico, como um coelhinho branco, felpudo e muito protegido, que apareces sempre com essa tua luz, que é tão inexplicável, como boa de se ver e de se sentir, e eu secalhar, não passo daquela rapariga do trapézio, que salta e salta... que te vê bem acima do mundo, e que os saltos que dou, fazem a minha vida levar-me para trás e para a frente, trazendo coisas boas e coisas más, sempre num movimento suave, mas perpétuo, do qual parece que nunca quero sair...penso até que não passo de uma comum mortal, que anda sempre em saltos à procura de um mundo encantado, que tanto tem os pés bem assentes na terra, como dá voos até um imaginário, que até tu já fazes parte, e que quando não estás, já deixas marca de ausência...e o circo acaba....com uma enorme salva de palmas...e quem é sempre o mais amado..o coelhinho branco...todas as crianças vibram e sonham em tocar, em ter um coelhinho branco como o que um dia saiu da cartola de um mágico, que estava num circo onde fomos há anos....e as crianças são as verdadeiras, são a essência do dom de saber amar...e nisto eu já estava com menos dores, porque tinha o meu imaginário a divagar....e ali fico eu, com o silêncio merecido, a pensar nos movimentos de trapézio que a minha vida me obriga a fazer.

És uma pessoa especial, e não me peças para definir especial, porque não sei..é muito..é tudo...
Se tu me dissesses que irias mudar o alfabeto, eu começaria a escrever com as novas letras e palavras criadas por ti, e porquê?...porque quando acreditamos, quando sentimos e quando voamos, vamos até à terra dos sonhos...e na terra dos sonhos, tudo é permitido, tocas em tudo, sentes tudo, paras o relógio se assim o quiseres, não há tempo, nem local...vale tudo...e mesmo que um dia te ensinem a partir numa noite triste e sombria, eu sei que irás chegar na manhã seguinte, trazendo sol..e sempre a tua luz.

Se leste até aqui, deves estar a pensar que estou louca, e que qualquer dia, ainda te mato, para te conservar em amoníaco dentro de um frasco, mas não... ontem fiquei com vontade de escrever sobre ti, exactamente por uma expressão que fizeste...aquela expressão dupla...aquele olhar enorme, lindo, preenchido, completo, mas cheio de sentimento…que me fascina e que me faz sentir como se tivesse a olhar para uma das coisas mais lindas e sentidas que já vi na minha vida… e isso levou-me a pensar que gostava mesmo que fosses feliz, ainda mais do que és hoje, que te realizasses em todos os aspectos que pretendes…que conseguisses alcançar tudo o que desejas…no fundo…que fosses o mais feliz do mundo.....gostava que voasses, mas mesmo lá em cima..ao pé das nuvens...e vais..vais porque acreditas..e porque tens valor para voar e para te manter a planar. Eu desde pequena que digo, que quem tem a capacidade de planar, será um individuo que vive numa esfera acima dos restantes mortais...és tu..vês..desde pequena que já te conhecia!

No outro dia perguntava-te… “E agora… o que seria feito de mim, se me apaixonasse por ti?”… é simples… tinha-me simplesmente apaixonado por uma das pessoas mais brutais que conheci, e que pretendo ter na minha vida durante muito tempo… amar já te amo… (claro…se me apaixonar…ainda mais…mando-me da ponte… ehehe)..

Entraste como se fosses o El Niño, um furacão que me ensinou tanta coisa.. ensinaste-me a respirar..a ouvir-me respirar...a ver-me...a pensar em mim..e secalhar nem te deste conta..mas ensinaste-me tanta coisa...
Mas ao mesmo tempo, tu..esse furacãozinho inofensivo e tão cheio de luz, conhece-me...a sério...não preciso de dizer que estou mal..que tu sabes logo que estou...até entendes as minhas viagens ao mundo da fantasia, e até quando me em fusões de me alienar em outros mundos, tu ouves o que eu digo, e lês o que eu escrevo. Tenho que repetir, porque soou-me muito bem...Tu ouves-me..Tu lês o que eu escrevo...

A vida é tão complexa, e tão cheia de tudo..é tão cheia de truques para tentarmos ser felizes, é tão cheia de desilusões, de surpresas menos boas, de amores que acabam, com a morte de alguém que amamos, com a falta de sorte, com a falta de tempo, com o medo...mas vale sempre a pena conhecer-mos pessoas interessantes e que nos fascinam, mesmo quando estão caladas...e sentir o seu silêncio mesmo quando estão a quilómetros de distância...e até maravilharem-se de te ver a gargalhar e a abrir os olhinhos como só tu fazes...

Deslumbrei-me contigo, Dário Pousada Amaro …meu bebé!
Sónia

Monday, September 24, 2007

Querida sociedade 25|9

E assim sem mais nem menos...

O “menino” bem comportado, o aluno exemplar, o amigo presente/ausente, o rapaz educado... Perde a postura.

E assim sem mais nem menos...

O sonho extingue-se por instantes, as horas contam, o tempo sente-se e a ironia está patente... Está exausto.

E assim sem mais nem menos...

Tudo não passa duma crença patética, onde as outras ainda se fazem sentir piores. Onde os idealismos sobrepõem as batidas cardíacas. Está morto.

E assim sem mais nem menos...

Nem lamenta que os menos interessados leiam o que aos seus olhos possa parecer estranho. Desinteressa-se.
Assim, sem mais nem menos... VÃO-SE TODOS FODER!

instalaçoes módulo 4 e 3 25|9




Wednesday, September 19, 2007

cá ou cá? 20|9

E tudo porque existe um fim anulado pelo medo, ignorado pelo materialismo.
E tudo porque começamos e acabamos sozinhos, sem “nada” para além do que é mesmo importante.
E tudo porque tantos porquês não importam.
Somos escravos da nossa insanidade, da nossa ridícula crença.
E tudo porque o tudo não o é na sua totalidade.
Tenho vontade de desistir de tudo, ser tão corajoso e enfrentá-los.
E tudo porque a incapacidade de resposta é vertiginosa.
Quem dera poder voltar a acreditar. A crença perde-se com a verdadeira convicção, são certas as quebras numa tensão incontornável.

Vagueio entre o branco e o preto, não percebo ao certo o que piso.

Nota: Não desisto com facilidade, não vou, nem quero desistir. Este texto são juntas das quadriculas, quebra em partes o meu ser assertivo!

Sunday, September 16, 2007

Saturday, September 15, 2007

1 + Gémeos 16|9



Os gémeos que me dão cabo da cabeça, que me irritam solenemente, que me fazem rir e chorar. Aquelas coisas minúsculas que se apresentaram apáticos dentro das alcofas transportadas pelo pai até aquele segundo direito!
São elementos fulcrais na minha vida, das poucas pessoas que amo e pelas quais nutro o maior orgulho.
Este post é dedicado aos melhores irmãos do mundo, os meus.
Nova fase de vida, a da formação académica. As alcofas, rosa e azul, são agora pequenas demais...
Parabéns aos dois.

Monday, September 10, 2007

1 ano de Blog 10|9



Não sei ao certo o que ando cá a fazer. Não sei o que faço, como faço e porque faço. No fundo respondo a estímulos e penso nessas mesmas atitudes com uma sensibilidade promíscua!
Faz hoje um ano que escrevi o primeiro post aqui no blog, até então conto 176 textos com imagens, com pequenas brincadeiras virtuais e muito sentimento.
Um dia, numa exposição minha houve alguém que me julgou da seguinte forma: “Se para ti vender a tua arte é pior que prostituição, porque vendes a alma, então é para ti certo que o facto da expores, torna-a pública.”
Sim, é para mim certa esta exposição. Mas este grito ao mundo é preciso, inevitável.
As palavras jogam da mesma forma, umas escondem as outras, juntas fazem sentidos. Ou traduzem uma ironia consequente.
Os blogs são elementos criticados por uns, defendidos por outros. Não tomo partido, mas exponho com plena consciência!
Foi um ano com alguns dissabores, talvez o maior da minha vida. Mas nunca nos podemos esquecer que algo que nos faz sofrer, é algo que antes nos deu muitos momentos de felicidade, e esses, foram por mim degustados com a maior atenção.
São pequenos registos que me formam. São pequenos sons e algumas pessoas.

Na parede da minha vida este ano ficam marcados:

Valter, a palavra certa.
Sónia, a mulher modelo e o modelo de pessoa.
Rui, a explosão do sentir.
Lucien, o francês simpático.
Bruno, os olhos verdes.
Manel, o menino bonito.
Penélope, a princesa de Chocolate.
Lili, a menina mulher.
Nuno, o médico da Galé.
João, o puto de Almada.
Ricardo, o promissor calado.
Lopes, a crença viva.
David, a evolução.

A palavra certa,
Pelo modelo de pessoa
Marca em mim a explosão do sentir.
A simpatia do francês
Anula tais olhos
E o menino bonito
Ganha asas em contos encantados...
Tal sensibilidade
É citada em sítios específicos
Mas nem sempre triunfa.
O silêncio promissor
É a crença viva
Da evolução pretendida.

Estas pessoas têm estes sentidos que em conjunto definem o meu, somos o espelho uns dos outros. O meu reflexo é o vosso na parede quadriculada que é a vida.
A este reflexo e ao ano de existência do meu blog dedico um filme que me marca numa realidade exacta, a de hoje.
Shortbus, o filme da vida real!
Obrigado por existirem na minha vida, obrigado a todos que mesmo estando na minha parede se mantiveram da mesma forma.

Deixo este filme, canta Jay Brannan.

Tuesday, September 04, 2007

Paris 5|9

De volta.

Fecho os olhos e sinto o ladrilhado frenético de informação por toda a parte. Sinto o cheiro a manhã de inverno, o baloiçar das folhas secas numa queda subtil, num chão pisado por imensos sonhos que marcam invernos consecutivos, numa vida que é quotidiano. Fecho os olhos e sinto cada som num romantismo exacerbado da ideologia do poeta, do traço do pintor, da marca da realidade.
Que realidade, a de hoje ou a de ontem?

O relógio marcava uma hora a menos na realidade pretendida, chovia lá fora num dia que se avistava cinza, o relógio despertou-me dum sonho atribulado. Chegou o dia, aquele dia que julguei inexistente no relógio que me despertava uma hora depois como passe para o mundo pretendido.
Sempre pintei o dia numa escala de cinzento.
Adormeço e volto a acordar, abro a janela e sinto o vento fresco da manhã parisiense, bate-me na cara com o devido preceito de me despertar.
Tudo me envolveu como o sonho, a musica era aquela, o espaço o mesmo, a pretensão realçava em mim a minha espantosa modéstia. E grito quando avisto a torre de ferro, está ali, estou ali. Sinto a garganta a dar sinais de vida numa dor que ignoro pelo cheiro da cidade.
Ando por toda a parte até onde as minhas forças permitem, marco cada passo para não me esquecer que são apenas mais alguns num principio que já se avista longe, mas existente.
Informação por toda a parte, romantismo e idealismo presentes. O sonho, esse, palpita-me em toda num todo, faz juz à sua existência e grita dentro de mim para que oiça a sua convicção.
Sinto-me extasiado, as minhas pernas levam-me além do que previ. A mente recebe toda a informação mas guarda-a para que a possa digerir depois.
Entro, sou recebido por três pessoas bem vestidas “– Bonjour monsieur!”, o sitio com a exagerada classe e requinte, acompanham-me até ao trono real onde me sento e sou bombardeado, com a devida educação, por perguntas. Passo de desconhecido a convidado, sou “artista”, permitem o meu fraco francês.
Entrego o portofólio e à parte de toda a envolvente sinto-me numa postura descontraída e pretendida, por mim e por quem o recebeu!
Quando me contam coisas exageradamente adjectivadas e bajuladas sinto que a verdade deixa a desejar. Não consigo explicar que género de sitio era aquele, que género de posição era aquela. Foi tudo superior à expectativa, não vos vou tentar explicar para não cair nessa redundância que soa a falso.
Quem sou e para o que vim, não sei. Quem serei e para o que fui, posso (ou não) imaginar!
Ontem estive em Paris, hoje em Bruxelas e acabo de chegar a Lisboa. Estou confuso e feliz.
Não vi tudo o que queria ter revisto, fiz muito mais do que me julgava capaz...
Abro os olhos e o silencio é ensurdecedor, as quadrículas minúsculas e finitas, tenho imensos registos gráficos, sensações, mas o relógio volta a marcar a hora exacta.
Sou um homem convicto na minha realidade audaz e paradoxalmente modesta, pelo pouco que sei, registo na minha realidade a capacidade de lutar pelo que acredito. Eu consegui!
O resultado, espero por ele, não desespero a minha realidade é una e promissora, porque assim o quero.


À bientôt, je reviendrai.